Sunday, November 05, 2006

Habitante do tempo

Somos prisioneiros do tempo. Nada do que pensamos está para além das concepções temporais, nada do que é dito é dito fora do tempo. Somos apenas porque há uma vontade de Ser expressa no Verbo. Curiosamente, nossa prisão é o motivo último da vontade de sermos livres. No entanto, uma ilusão foi criada, desde sempre, e talvez exista apenas para que possamos superá-la: a virtualidade. Na mente antiga ela aparece como o ente, o existir imaterial das Formas platônicas. Hoje ela tende a desaparecer na banalização da técnica, coberta pelo virtuosismo das imagens digitais fecundando mundos que não existem senão na máquina que julgamos dominar e manipular. A velocidade nos aparece agora como ordem do dia: devemos correr, devemos atualizar. Mas se apenas habitamos o tempo por ser este o nosso modo de perceber, se as explicações que damos sobre isto são as justificativas para "termos que" nos atualizar, a questão da liberdade, da superação dos limites temporais está justamente no que ultrapassa a explicação. Estamos diante da chance de um novo paradigma, no qual, a virtualidade nos convida a apenas estar ali onde sabemos não estar, a sermos independentes da quantificação que devora nosso ser num tique-taque interminável. Ser é o mesmo que estar? Por quê?

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