Saturday, September 16, 2006

O ALQUIMISTA


Os objetos de arte possuem sua vida própria e autonomia, contam o que querem a despeito do que lhe atribuem as notas de rodapé, pois migraram do espírito e só a ele se dirigem.
O universo da arte precisou ser explicado, e já havia desaparecido na história das lideranças como a descoberta mágica, mas, igualmente à letra, subsistiu aparentemente apenas como uma utilidade, um instrumento do orgulho e da vaidade a serviço da mitificação do poder, do realmente extraordinário que reside no homem poderoso em detrimento das fantasias do além que antes o submetiam moralmente. Desmitificar o mundo é ao mesmo tempo reificar a vida humana.
A vida coisificada historicamente, deglutida e excretada nas linhas dos experts e estudada nas obras nas salas de exposição, etiquetadas e museumificadas, presas do nexo fácil que alimentam as curadorias abstrusas.
A ruína do mundo sensível e inteligente?
Atrás da história da inteligência está o sinal que aponta o paradoxo: sentir ou pensar a verdade?
Nas ruínas de um passado aparentemente remoto vive o relato do enigma e sua resposta, ali disposta, nua e crua, um veneno ou um elixir potente para a mente.

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