
A arte e o devir
Espaço reflexivo, multidisciplinar, multiétnico e pluridimensional... adentra o terreno da Metafísica pelas vias subjetivas da Arte, trazendo de lá,do inefável sentido do ser, a busca por sua realização: Ser além de si mesmo, e permanecer inalterado, imutável e pleno. Bem vindo ao tempo sem unidade e ao espaço sem extensão! Saudações!
![]() Certa vez, em 1993, uma visão se apresentou inédita para o que conhecia até então acerca da natureza, isto se deu pela generosidade de Ailton Krenak, um índio com quem conversava na ocasião. Através de sua vivência e percepção da natureza, infinitamente mais integrada que a minha, ele me desocultou o óbvio. Assim, olhando através de uma janela numa pequena casa em São Paulo, vi as árvores dançando para o Céu. |
O ELO
As dicotomias que deram aval ao massacre das populações indígenas são amplamente comentadas desde os primeiros contatos entre os povos e, em cada versão, encontramos detalhes diversos em relevo, onde em geral, a figura do branco surge sempre como uma presença inevitável à marcha natural da evolução humana. Do mesmo modo, hoje, encontramos inúmeras vozes que procuram redimir o desastre que essa “visão evolutiva inevitável” proporcionou às civilizações indígenas, encetando um relativismo que compatibiliza alternativas “evolutivas” diferentes, por assim dizer. A Dança para Segurar o Céu não surge como mais uma versão alternativa para redimir, compensar, ou ainda, “salvar o que vale a pena” do que resta das culturas dizimadas pelo progresso. Esta Dança preexiste e subsiste ao fenômeno expansionista que lançou os povos no paradigma da contemporaneidade, dir-se-ia, deste modo, que este “dançar” embala os corpos desde que eles vieram a ser o que são em sua essência e origem.
Eis que a palavra percorre seu destino e no Amor busca ser som luminoso. Lume iridescente na voz de Ayauasca, na voz interna, que nada sabe ser além daquilo que É: nem verdade nem mentira, mas apenas Ser existindo. Difícil tarefa é a de ouvir internamente. A Luz é tudo o que É, e seu mistério repousa nas coisas que ilumina, pois que a matéria não é isto que é vista, senão como fenômeno de Luz transformada em ente iluminado. Se o mistério é demasiado, é porque há mais do que a verdade na busca por sua revelação. Se a vista revela o que se vê, não será a vista que revelará também a razão de ser daquilo que é visto? |