DO ESPÍRITO PARA O ESPÍRITO
A Arte é uma ação do espírito para o espírito, e, portanto, tem necessariamente de percorrer instâncias além de qualquer lei conhecida pela Ciência moderna.
Daí minha preocupação em buscar a essência, o universal, sem prender-me a nenhum modismo ou movimento artístico específico. Carrego influências diversas, é claro, porém, não saberia dizer o quanto elas já se transformaram em mim ou quanto ainda irão permanecer vivas na obra.
É dessa forma, a meu ver, que independentemente de quaisquer outros fatores, muitos alheios ao real ofício do artista, sigo em busca da realização maior da Arte: o encantamento do ser.
Andriole
Mauro Andriole
Nasce em 16 de janeiro de 1963 em São Paulo, Brasil.
FORMAÇÃO
2001/ 08
Filosofia na USP - FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS, CIÊNCIAS SOCIAIS E HISTÓRIA, da UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP, Brasil
CURSO CENTRADO EM PESQUISA NAS ÁREAS DA
ESTÉTICA, METAFÍSICA, ANTROPOLOGIA E FILOSOFIA DA ARTE
1980-78
História da Arte, Fotografia, Desenho de Expressão, Desenho Técnico e Técnicas de Impressão no Colégio Técnico IADÊ - INSTITUTO DE ARTE E DECORAÇÃO, SP
2010/11
PROFESSOR UNIVERSITÁRIO:
Faculdade Litoral Sul
SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO, SOCIOLOGIA GERAL, SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO e HISTÓRIA DA IGREJA
DESTAQUES: EXPOSIÇÕES E PROJETOS:
2007
Participação “Hors Concours” da 3ª Bienal de Gravura Nacional, no Museu Olho Latino, em Atibaia, sob a curadoria de Paulo Sheida Sans.
2006/07
Viaja para Portugal, em Dezembro de 2006 instalando-se na cidade do Porto, onde reside por quatro meses, vindo a estabelecer contatos com artistas portugueses, tais como António Fernando, José Rodrigues, Gustavo Bastos, António Leite, Maria Antónia Porto e José Emídio, e com o intelectual, poeta e escritor José-Luis Ferreira.
Durante este período produz uma série de doze pratos em cerâmica e duas esculturas policromadas, na Cooperativa de Actividades Artísticas – Árvore, dirigida pelo Eng° Amandio Secca e por José Rodrigues. Edita também na ÁRVORE uma litografia. Participa do I Salão Internacional de S. João da Madeira e da Exposição de Arte Integrada ao SEMINÁRIO PORTUGAL – PALOP/CPLP – BRASIL, organizado pelo Arquiteto e Pintor Carlos Lança, a convite de José-Luis Ferreira. Expõe suas obras na SERVARTES , espaço multimídia no Porto, e também no Espaço de Arte Vera Lúcia.
2006
CIVILIZAÇÕES, Exposição individual de Arte sobre papel – litografias, serigrafias, metal e aquarelas. Curadoria Rita Villares Pires – Café na Praça, Porto , Portugal
CONTEMPORÂNEOS NO FORTE , Exposição Coletiva, dez artistas brasileiros . Curadoria de Enock Sacramento, Galeria de Arte do Forte de S. Francisco, Chaves, Portugal.
2003
PHYSIS, Exposição Individual na Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências e História, da Universidade São Paulo, com apresentação de Olgária Matos. Evento paralelo ao 7º Encontro de Pesquisa em Filosofia, promovido pela Comissão de Pesquisa FFLCH, CNPq, CAPES e FAPESP.
2001
ARTE NO METRÔ, Acervo Artístico da Companhia do Metropolitano de São Paulo/METRÔ, curadoria: membros da Associação Brasileira dos Críticos de Arte, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte de São Paulo, Conselho Regional de Engenheiros e Arquitetos de São Paulo Estação LUZ, DANÇA PARA SEGURAR O CÉU, obra escultórica [ 2.50 x 6.00m ], alumínio fundido, SP, Brasil. (projeto em desenvolvimento)
2000
MUSEU DOS BANDEIRANTES, ACERVO ARTÍSTICO CULTURAL DOS PALÁCIOS DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, curadoria de Radha Abramo, indicação do crítico de arte Alberto Beutenmüller, conjunto escultórico: O PESCADOR. Alumínio fundido. Área: 2.80 x 3.00m.
São Paulo, Brasil.
Patrocínio: ALCAN ALUMÍNIO DO BRASIL.
A COR DO BRASIL, reflexão sobre os 500 ANOS DO BRASIL, através de reprodução de pinturas e textos do artista, em capas de talonários da TICKET. A série constituiu-se de nove obras, apresentadas uma por mês, a partir de Abril, até Dezembro. Edição de 4,5 milhões talões/mês, distribuição nacional. Simultaneamente a divulgação das imagens nos talonários, o conjunto das obras foi exposto nos Supermercados do GRUPO PÃO DE AÇÚCAR- EXTRA, em nove unidades, em Brasília e São Paulo, Brasil.
Apresentação de Vídeo Documentário: A Cor do Brasil, exposição individual e Leilão Beneficente das Obras no MUSEU DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO, SP, Brasil.
Criação: Mauro Andriole. Realização: GRUPO ACCOR
CONGRESSO INTERNACIONAL DA TICKET, RJ, Brasil
Realização: TICKET, Grupo ACCOR
POVOS DA FLORESTA, edição de Litografia e Vídeo institucional apresentando a obra do artista, o conceito e o processo de elaboração da gravura.
Criação: Mauro Andriole. Realização: Grupo ACCOR.
PINTOR, ESCULTOR E GRAVADOR
Exposições Individuais
2006
CIVILIZAÇÕES, Exposição individual de Arte sobre papel – litografias, serigrafias, metal e aquarelas. Curadoria Rita Villares Pires – Café na Praça, Porto , Portugal
2003
PHYSIS, FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS, CIÊNCIAS HUMANAS da Universidade de São Paulo, Brasil
2000
A COR DO BRASIL, MUSEU DE ARTE MODERNA, SP, Brasil
1995
ARQUEOLOGIA DO SUBCONSCIENTE, MUSEU DE ARTE MODERNA/Resende, RJ, Brasil
1994
CIVILIZAÇÕES INDÍGENAS, TEATRO HALL, SP, Brasil
CIVILIZAÇÕES II , ESPAÇO CULTURAL METRÔ CONSOLAÇÃO, SP, Brasil
1988
O HOMEM E SEUS MOVIMENTOS, CENTRO CULTURAL DE BAURU, SP, Brasil
1987
AQUARELA, PASTEL, NANQUIM & GUOACHE, CENTRO CULTURAL SÃO PAULO, SP, Brasil
Exposições Coletivas
2007
EXPOSIÇÃO INTEGRADA AO SEMINÁRIO PORTUGAL – CPLP/PALOP – BRASIL, organização do Arquiteto Carlos Lança, curadoria de José-Luis Ferreira, no Hotel Ipanema Park, cidade do Porto, Portugal
2006
EXPOSIÇÕES DE ACERVOS DAS GALERIAS DE ARTE ANDRÉ, CARAFIZZI E GLATT & YMAGOS
2003
ABSTRATOS, GALERIA DE ARTE ANDRÉ, curadoria Carlos von Schmidt, SP, Brasil
2001/00/99/98/96
ACERVO - CARAFFIZI GALERIA DE ARTE,SP, Brasil
1999/96/94/92
COLETIVAS - GLATT & YMAGOS GALERIA, curadoria Patricia Dacca Motta, , SP, Brasil
1998
IMPRESSÕES - A arte da gravura brasileira, 25 anos do Atelier Glatt & Ymagos, ESPAÇO CULTURAL BANESPA, SP, Brasil [Direção de arte do catálogo e participação]
1996
COLETIVA DE ARTISTAS JOVENS, curadoria Paulo Prado, PAULO PRADO GALERIA DE ARTE, SP,BR
1995
Leilão Beneficente Pró MASP, RENATO MAGALHÃES ESCRITÓRIO DE ARTE, SP, Brasil
1995
Pequenos Formatos/Poucas Palavras, curadoria Bob Nugent e Claudia Skaff, DOCUMENTA GALERIA DE ARTE, SP,Brasil
1994/93/92/90/89/88
COLETIVAS DO ACERVO, GALERIA DE ARTE ANDRÉ, SP, Brasil
1994/93
COLETIVAS - DOCUMENTA GALERIA DE ARTE, curadoria Claudia Skaff, SP, Brasil
1990
COLETIVA - DELL’ARTE, CURITIBA, PR, Brasil
COLETIVA - D’BIELLER GALERIA DE ARTE, RJ , Brasil
COLETIVA - IDEA, RJ, Brasil
COLETIVA - CONTORNO, RJ, Brasil
1989
COLETIVA - ARS ARTIS, SP, Brasil
1988
COLETIVA - GALERIA BLUE LIFE,SP, Brasil
1987
COLETIVA - ÃNIMA, SP, Brasil
1986
ARTISTAS DA FOLHA DE SÃO PAULO - GALERIA MARC CHAGALL, SP, Brasil
SALÕES DE ARTE
2007
I SALÃO INTERNACIONAL DE S.JOÃO DA MADEIRA, Portugal
1993
11º SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS DE ARARAQUARA, SP.
1º SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS DA ENTIDADE PRAIDS, SP.
LEILÃO DA COMUNIDADE ISRAELITA DE SÃO PAULO.
22º SALÃO BUNKYO DE ARTES PLÁSTICAS, SP.
1992
17º SALÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE RIBEIRÃO PRETO, SP
1989
7O SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS DE ARARAQUARA, SP.
7O SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS DE RIO CLARO, SP.
18º SALÃO BUNKYO DE ARTES PLÁSTICAS, SP.
1987
1O. SALÃO NACIONAL DE ARTES PLÁSTICAS FLÁVIO PHEBO, SP.
1º SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS DE BAURU, PRÊMIO AQUISIÇÃO, SP.
16º SALÃO BUNKYO DE ARTES PLÁSTICAS, SP
ILUSTRADOR, DESENHISTA E DIRETOR DE ARTE E CRIAÇÃO
ARTES GRÁFICAS/JORNALISMO
1983
Direção de Arte e Ilustrações para as revistas:
VIDA & CULTURA ALTERNATIVA, ESTE MÊS SÃO PAULO, RIO E BAHIA, SP, Brasil.
1987-82
Ilustrador do Jornal: FOLHA DE SÃO PAULO
1998-97
Ilustrações para Revista MARKETING CULTURAL
Projeto gráfico para marcadores de página na 15a. BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO, Centro de Convenções Anhembi, SP, Brasil
2007-08
Ilustrador – REVISTA EDUCAÇÃO
Direção de Arte – Revista CONSULTE ARTE & DECORAÇÃO – Ed Roma SP
1995-92
CENÓGRAFO
1989-87
Cenografia e Direção de Arte: GLEDSON, na 33a.FENIT. SP.
Cenografia para programas do SBT CANAL 4 TVS, SP.
DESIGNER
PROJETOS EM FIBRA DE VIDRO
1982-80
Coordenador do Departamento Artístico e Desenvolvimento de Vitrais para REFORPLÁS, SP.
Espaço reflexivo, multidisciplinar, multiétnico e pluridimensional... adentra o terreno da Metafísica pelas vias subjetivas da Arte, trazendo de lá,do inefável sentido do ser, a busca por sua realização: Ser além de si mesmo, e permanecer inalterado, imutável e pleno. Bem vindo ao tempo sem unidade e ao espaço sem extensão! Saudações!
Sunday, February 06, 2011
Sunday, December 12, 2010
Quantos ou quais?
Quando escrevo, quem realmente escreve, ou ainda, quantos escrevem?
Do mesmo modo, quando digo querer algo, sou capaz de identificar absolutamente, isto é, sem resto de dúvida, ser Eu a origem desse querer?
Há, de certo ponto de vista, um perigo que se encerra na aparência destes questionamentos. Poder-se-ia cogitar uma fragmentação de personalidade, uma patologia, ou até a ausência de uma personalidade formada, indefinida a tal ponto, que o sujeito questionador estaria desintegrado num fluxo daquilo que o mundo ao redor, a sociedade, por assim dizer, imputaria sobre seu modo de ser e estar, absorvido assim por uma força inescapável. Tal argumento se filia facilmente à inúmeras doutrinas que se originam no mal estar da sociedade de Freud, amplificadas pela escola de Frankfurt, e que, retidas na superfície do indivíduo socializado, assim visto pela psicanálise, desfrutaria da liberdade de afirmar, beirando a hipóstase, que tudo resulta de uma marcha do “progresso”: do estado e dos modelos econômicos em vigor.
Ladainhas...milongas e afins embalsamados no "academês" herdado do velho mundo.
Ladainhas...milongas e afins embalsamados no "academês" herdado do velho mundo.
Mas por outro lado - e sempre há a chance de se negar tudo o que se diz a qualquer momento, pois esta é a essência da racionalidade – diríamos também que o tal sujeito questionador aderiu a alguma “seita” talvez. E que no âmago de seu ser tivesse alimentado dezenas de “verdades”, sendo a maior delas, aquela que o leva ao compromisso ético de admitir-se apenas “fluxo” de uma manifestação infinitamente maior e que é insondável à razão.
Este argumento, por sua vez, também encerra em sua aparência o perigo de um fanatismo cego, seja lá a crença fundada em qualquer seita que pensemos. Sendo dogma é por natureza o fruto de um desejo narcísico.
E, no entanto, há razão para tudo não é?
E o desejo de ser, a despeito de poder ser ou não explicado pela razão, simplesmente continua a SER. E a prova disto é que estamos nós aqui, entretidos com um fazer significativo, que deita suas raízes em ambos os lados do existir: o simplesmente ser e o saber que se está sendo.
Percorrida esta distância, que não sabemos qual foi, nem a partir de onde saímos e muito menos aonde chegamos, admitimos que só haja uma certeza: somos capazes de sentir e pensar sobre nossos sentidos.
Desconsiderando aquilo que é desejo de alguns poucos - dentre os quais gosto de me incluir – o de buscar na sensação um sentido igualmente importante ao sentido nascido do pensar, restariam as prioridades dadas pela existência material que condicionam um modo de estar na história.
Penso com meus botões que poderia sim assentir que o marxismo “explica” muito do que é preciso para se estar “aqui”, neste “agora”.
Penso também que Don Juan, o índio yaque que “despertou” Carlos Castañeda – ficção ou não – disse muito sobre a natureza humana iluminando nela aquilo que o princípio civilizatório tenta esconder.
Penso...penso...penso...e nada disto que penso é mais do que a veemente prerrogativa de respirar, de beber água, de comer e de dormir , que no mais das vezes eu ignoro a importância por permancer existindo em pensamento sobre "o que deve ser" meu modo de ser.
Ultrapassada esta minha ignorância sobre a importância real de minhas necessidades fisiológicas, sobre as relações subjetivas e diretas delas em meu bem estar físico, e que atuam sobre minha forma de sentir e pensar, digo ser importante compreender minhas emoções.
Vejo assim que se fosse realmente admitir o que “é” a minha existência – partindo da necessidade primeira para qualquer coisa sobre mim, pois este saber é vital para a compreensão de minhas “emoções” – pouco posso dizer delas aquilo que está fundado em minhas crenças. Talvez eu seja um cético, ou talvez, seja um cético deprimido, ou deprimido por ser cético. Mas para além das conjecturas mentais, corre meu sangue, neste mesmo instante, e o oxigênio alimenta meus neurônios céticos e deprimidos.
Ora, eis aí uma dualidade - para reduzirmos a dois, as múltiplas escolhas que poderíamos levantar quanto à natureza do ser. Posso simplesmente ser o guardador de rebanhos de Pessoa, insistindo na bucólica paisagem que chamo de mundo, e também posso transcender minha condição material e encarnar inúmeros heterônimos, em espírito, a ponto de confundir tanto a mim mesmo, que nada restaria para um outro além de ilusões sobre mim.
Mas há as emoções.
Emoções que são reais para todos nós – e falo isto exclusivamente me dirigindo a todos que sou. Emoções que de quando em quando, um ou outro em mim acham justo dar o devido valor, sofrer verdadeiramente nelas como se fosse o único, como se fosse o pródigo, como se fosse um príncipe, e acabar no chão feito pacote tímido, no meio do público náufrago.
Ah...as emoções.
Thursday, August 19, 2010
arte e ilusão
A relação entre a Arte e a Ilusão é absolutamente indissolúvel.
Somos criadores de símbolos, autores de uma ação natural que se confunde com nossa própria identidade, presente desde que nascemos e que jamais abandonamos durante toda nossa vida. Ernst Cassirer, filósofo contemporâneo, nascido em 1874 na Alemanha, define o homem como um ser simbólico, tal a importância que o símbolo exerce em nosso modo de ser.
Neste artigo, examinaremos as relações que envolvem a criação de símbolos na arte e um estado peculiar da consciência: o da ilusão.
Qual a origem da ação criadora do artista?
Se o artista, em um dado momento, é tomado pelo desejo de realização da obra, de pôr-se em correspondência com o Belo, trazendo-o à visibilidade na matéria, ele o faz a partir da apreensão simbólica de um dado que ocorre em sua interioridade.
Nela, em sua consciência, algo se ilumina, um objeto se eleva dentre todos os outros , e move-se para uma região distinta, distanciando-se da esfera ordinária onde permanecem os outros objetos do mundo. Da mera aparência vulgar, que anteriormente o igualava a todos os outros objetos, este em especial isola-se para assumir um valor paradigmático, encarnando a essência da Beleza. Ou em outras palavras ele se assemelha ao objeto de onde teve sua origem, por reter sua aparência, mas na verdade ele é outra coisa da mesma coisa, isto é, um símbolo.
O artista não encontra nenhum freio durante esta experiência, nenhum limite, seja ele de qualquer espécie, que o impeça de reter em si as qualidades significantes que iluminam o objeto.
Agora durante sua observação o artista funde-se ao objeto, apreende dele aspectos antes invisíveis, e forja-os em novas cores e formas em sua imaginação, sendo um com ele numa experimentação criativa, vívida. Isto é o que ocorre no ato da reflexão artística em si: um fenômeno da projeção da imagem - do objeto no artista e do artista para o objeto em sua consciência.
Decorre desta relação reflexiva a via para movimentar o processo do vir a ser da obra e também o do ser artista.
Este processo criativo está inteiramente banhado pelas luzes da ilusão – pois, embora o objeto na consciência tenha se transformado e assumido as vestes da beleza, nenhuma alteração ocorreu de fato no objeto a que se refere, assim, fora da experiência estética ele permanece integralmente como era antes em sua aparência e matéria.
Por outro lado, a despeito disto ser um fenômeno mental, nada impede o artista de justificar uma verdade que traz de sua experiência estética – a obra - e o valor real de seu propósito artístico: ampliar a consciência sobre aquele objeto. Ampliação esta, que se estende para o público, que a partir da contemplação da obra de arte, entra em contato com a imaginação do artista, iniciando também um processo de imaginação quanto ao objeto referido.
Deste modo, devido a complexidade que envolve compreender o processo em sua grandeza, nenhuma explicação conceitual, seja de ordem psicológica, filosófica ou sociológica poderia ser completa para abranger todas as facetas desta relação entre o artista, o objeto, a obra de arte e o público. Nenhum argumento científico, mesmo a metafísica não poderá dissuadir a consciência de que por um intervalo de tempo ela envolveu o objeto belo em si e se relacionou com ele acima das noções discursivas, pois a prova disto é que desta experimentação nasce uma nova consciência sobre a própria natureza humana: a capacidade de transcender a razão e manter relações reais com algo claramente irreal
Quando um objeto, flores ou um animal, uma paisagem ou um corpo humano são vistos pelo artista, nesse mesmo instante, através da imaginação transformam-se numa outra coisa. São agora objetos da ilusão, paradoxalmente reais para ele, são agora mais do que eram simplesmente, porque revestem-se de outra matéria luminosa, estranhamente imaterial, e assumem simbologia num contexto extraordinário, íntimo, que dialoga com seu imaginário de artista.
Assim, o processo do vir a ser belo , seja o da flor, da paisagem, do corpo humano - no curso livre de sua efetivação estética, tornam-se um outro objeto – exposto na obra- encerrando a potência de uma ilusão encantadora.
E assim, ainda que ela, a obra, retenha em si a aparência de uma flor, de uma paisagem ou de um corpo humano, ela é em verdade apenas representação, a ilusão de ser o objeto da experimentação do artista. Isto porque ela dissimula materialmente ser o que de fato era imaterial e portanto, não passa de um simulacro ilusório, um encantamento luminoso capaz de evocar na imaginação do público formas emocionais semelhantes as que sentiu o artista.
Friday, August 06, 2010
Wednesday, July 21, 2010
liberdade aos 18
Saturday, June 26, 2010
Friday, June 25, 2010
Trancendência
Há muitos anos, talvez em 1988, escrevi estas linhas. Era então um desenhista na cenografia de um canal deTV, e tinha teimosia o suficiente para escrever sem saber nada sobre o que escrevia. Bons tempos.
Todo mistério é fruto
do desconhecimento,
Que por sua vez,
é relativo ao ponto
de vista.
Logo, o mistério de uns
é a verdade de outros.
Então existe o mistério ?
Existe a verdade ?
Ou apenas pontos de vista ?
A dúvida é o mistério.
O conhecido simplesmente "é".
Ser é não ter mistérios,
tão pouco verdades.
A existência é um problema
de quem ainda não percebeu
que existe.
Há o fazer.
E também o “porque”
(às vezes)de fazê-lo.
Mas há o elo entre
o ato imediato e
sua consequência prevista (?)
Ou há um contínuo interagir
entre ação/reação(?)
Há no máximo pseudoconclusões
de um breve momento já passado.
O intervalo entre a ação e
o pensar a ação é falso.
Só há a ação.
O pensar é independente do tempo ou espaço.
Qualquer observação sobre o pensar
é no máximo limitada por conter-se a si mesmo.
Há o “transcendente” no pensar ?
Sob que linguagem se fixaria o
discurso sobre a “transcendência” ?
O saber é intransmissível
porque saber é viver,
e viver é experimentar só:
as limitações de seus
pontos de vista, mistérios, verdades
e “transcendências”.
Thursday, June 10, 2010
Insônia
Muitos anos se passaram...e o texto, antigo, me veio mais uma vez, iluminou-se numa destas buscas sem mais querer do que adiar o sono. Evidentemente já estava sonhando.talvez em 1999...
Foi quando parei de escrever que me veio este texto.
Chega-me como um perfume de não sei que flor, nem cor de rosa nem de negro, e logo empesteia o mundo. Meu mundo, é claro.
Meu mundo claro é como tudo o que não sei dizer com este texto perfumado com este cheiro que ninguém poderá sentir além de mim. Mas me invade a mente, as narinas e peito, numa presença que será lembrança vaga, como esta linha escrita a mim. Sim, porque ninguém escreve senão a si mesmo.
Daí, nesta negra noitada, neste odor imaginado de fim de semana, as palavras invadem, sem saber que nada dizem além do que eu mesmo posso dizer com elas. Mas insistem. Mas fustigam o corpo do texto, que incha, sem saber o que fez para sofrer essa tortura de ter que ser alguma coisa sã: – Diga palavra!
Como é doce esse lamento – eu penso.
E nada me vale mais do que este pensar que isto seria uma espécie de lamento, este decrépito e inapto pensar que balbucia fedores que logo se esquece no mais adiante. E, no entanto, há de se pensar numa boa coisa, numa coisa que não se tenha de verdade só para si... numa coisa... numa mulher talvez, já que sou homem.
Num amor talvez.
Vagueia palavra, diz em mim o que é e eu acreditarei, como um apaixonado.
E me vem logo o perfume de mulher gostosa lambendo a nuca e arrepiando os pelos do corpo. Chega sem pedir. Como este texto, como paixão. Mas procura em si mesma, menos do que ele, texto e paixão, em mim, porque nada quer ser além de fazer nascer um querer irremediável neste outro que sou eu apaixonado.
Paixão.
Se instala assim, a despeito de eu querer que se instale, está absolutamente imune a qualquer consentimento meu , e se auto proclama nexo e lei, como a única possibilidade de exalar o mais belo dos sonhos ao me fazer adormecer. Sonho essa paisagem.
E quem dirá que nada disso pode ser verdadeiro, tal como são estas linhas deste texto intruso? Deste perfume que é lapso num modo que só pode conhecer o inodoro? Desta paixão inexistente arrancando suspiros e lágrimas irreais inundando outro que eu posso ser também em minha cena?
De quantos amores é possível escapar ileso até perceber que a verdade é que nunca será mais que um só o amor que nos aprisiona e nos liberta?
Presos nesta liberdade evanescente, sonhamos sentir ares pela janela aberta de todos os amores, que são um só, o aroma de lá fora, e nesta cela somos muitos.
Este perfume de papoula, esta febre de ópio que penetra nos mistérios dos amantes, sons nos silêncios sussurrados nos ouvidos de apenas alguns poetas – estes seres do devaneio, destemidos o suficiente para saltar para a boca do abismo sem fim, para voar eternamente em respostas a perguntas jamais feitas.
Quantos textos invadidos aqui, nestas linhas inépcias, num só golpe de dedos rudes, para revelar a miséria miraculosa das flores e trevas que podem coexistir num peito dolorido porque se quis outro além de si...
Este breve viver, que é a morte plena, fendida nas chagas abertas da alma, nunca cicatrizadas, neste gozo irrepreensível da escrita, que é também um sucumbir ante todos os desejos, lançar-se nos desvios evitados, anunciados como perigosos pelos senhores da mente sadia devorando sua salsicha presa, comida sem requinte ou pena da imortalidade da Alma, carniceiros sorvendo a carne da vida deste existir alheio e inexplicável, que é o de qualquer destino humano quando medido pelo razoável.
Desvio.
E do mesmo modo que veio, o texto se esvai agora, como o perfume de mulher, como o sonho interrompido pela sede noturna, para ir ter com outros, habitar outras águas que as vertidas no copo vazio que mata a secura dos lábios da minha insônia.
Monday, May 24, 2010
O olhar de Moctezuma
Certa vez, olhando para o horizonte uma visão se fez iluminar à Moctezuma, viu seu império desvanecer entre sombras. Permaneceu ali, no entanto, rijo, estático em sua magestosa laje aberta para o Atlântico. Não viu - pois seu imaginário não podia lhe oferecer nada nesse sentido - que alinhavam-se neste horizonte iluminado, as caravelas que traziam os atores da trágica consumação do seu devaneio.
Não viu chegar às margens de sua morada, senão os deuses profetizados num outro tempo, numa outra imaginação.
Não viu a urgência de seu tempo, a contingência lhe pedindo ação ao invés de contemplação. Era ele o poder ali instalado que organizava a hierarquia daquele povo, daquela gente que se prostrou diante do mistério vindo dos mares distantes feito sombras pairando sobre as águas. Não soube fazer ser outra realidade que não a do holocausto que abateu sobre os seus. Não havia ali enhuma possibilidade de argumentar uma aliança. E deu-se assim o destino (?), desvaneceu uma era, da qual nada ou quase nada se sabe senão o que as sombras de uma mentalidade alheia pode compreender. Não há aqui culpados, nem inocentes, há o processo histórico em seu devir. Contudo, outra visão hoje se avulta no horizonte próximo, uma visão que ilumina um destino inexorável para todos nós agora, e antevisto pelas atuais magestades em suas lajes de mármore. Que fazem delas então os que em sua mão detém o poder sobre os passos de tantos povos?
Não viu chegar às margens de sua morada, senão os deuses profetizados num outro tempo, numa outra imaginação.
Não viu a urgência de seu tempo, a contingência lhe pedindo ação ao invés de contemplação. Era ele o poder ali instalado que organizava a hierarquia daquele povo, daquela gente que se prostrou diante do mistério vindo dos mares distantes feito sombras pairando sobre as águas. Não soube fazer ser outra realidade que não a do holocausto que abateu sobre os seus. Não havia ali enhuma possibilidade de argumentar uma aliança. E deu-se assim o destino (?), desvaneceu uma era, da qual nada ou quase nada se sabe senão o que as sombras de uma mentalidade alheia pode compreender. Não há aqui culpados, nem inocentes, há o processo histórico em seu devir. Contudo, outra visão hoje se avulta no horizonte próximo, uma visão que ilumina um destino inexorável para todos nós agora, e antevisto pelas atuais magestades em suas lajes de mármore. Que fazem delas então os que em sua mão detém o poder sobre os passos de tantos povos?
Thursday, May 20, 2010
Dizer a Arte
Muito já se disse sobre a Arte.
Disseram que ela morreria um dia, e mesmo, que ela já morreu , inclusive. Evidentemente isto não é verdadeiro.
Verdade também é que muito se dirá ainda sobre a Arte, pois nunca se terá dito o suficiente para dar conta de tudo o que ela significa para a humanidade.
E as razões para isto ser credível são simples.
A primeira delas é que a Arte é a mais fiel expressão direta do que chamamos “espírito humano” – seja lá qual for o significado que atribuamos a esta designação. E a prova disto é que toma-se a Arte, ou a Obra de Arte, como um fator distintivo, primordial, para aferir o grau ou nível de desenvolvimento de uma cultura que já não existe mais. Na Arte está todo o conhecimento de uma época, bem como seus valores morais, filosóficos, além da ciência e política, mas, sobretudo, estão os sonhos mais íntimos que impulsionaram estas sociedades a se constituírem tal como o fizeram.
A Arte, entendida deste modo, portanto, expressa um valor que é intrínseco, imanente, sendo capaz, por isto, de ultrapassar as fronteiras materiais, finitas, para instaurar, por si só, percepções do desenvolvimento “espiritual” ou o que há de eterno nos modelos civilizacionais. Isto porque, e esta é a segunda razão, a Arte coincide com a essência que nos torna “humanos”, ou seja, nossa capacidade de criar uma linguagem e expressar nossas apreensões do mundo de forma concreta.
A Arte é a primeira “fala” do homem, e no sentido da capacidade de irmos ao mais profundo de nosso ser, é a última “fala”.
Assenta nessa percepção, seja a de que a Arte não pode estar morta ou de que ela não morrerá enquanto o homem existir sobre a face da Terra, a iniciativa deste espaço reflexivo. Um espaço na blogosfera que privilegia a “fala” da Arte e seu modo peculiar de “dizer”.
Disseram que ela morreria um dia, e mesmo, que ela já morreu , inclusive. Evidentemente isto não é verdadeiro.
Verdade também é que muito se dirá ainda sobre a Arte, pois nunca se terá dito o suficiente para dar conta de tudo o que ela significa para a humanidade.
E as razões para isto ser credível são simples.
A primeira delas é que a Arte é a mais fiel expressão direta do que chamamos “espírito humano” – seja lá qual for o significado que atribuamos a esta designação. E a prova disto é que toma-se a Arte, ou a Obra de Arte, como um fator distintivo, primordial, para aferir o grau ou nível de desenvolvimento de uma cultura que já não existe mais. Na Arte está todo o conhecimento de uma época, bem como seus valores morais, filosóficos, além da ciência e política, mas, sobretudo, estão os sonhos mais íntimos que impulsionaram estas sociedades a se constituírem tal como o fizeram.
A Arte, entendida deste modo, portanto, expressa um valor que é intrínseco, imanente, sendo capaz, por isto, de ultrapassar as fronteiras materiais, finitas, para instaurar, por si só, percepções do desenvolvimento “espiritual” ou o que há de eterno nos modelos civilizacionais. Isto porque, e esta é a segunda razão, a Arte coincide com a essência que nos torna “humanos”, ou seja, nossa capacidade de criar uma linguagem e expressar nossas apreensões do mundo de forma concreta.
A Arte é a primeira “fala” do homem, e no sentido da capacidade de irmos ao mais profundo de nosso ser, é a última “fala”.
Assenta nessa percepção, seja a de que a Arte não pode estar morta ou de que ela não morrerá enquanto o homem existir sobre a face da Terra, a iniciativa deste espaço reflexivo. Um espaço na blogosfera que privilegia a “fala” da Arte e seu modo peculiar de “dizer”.
Monday, May 17, 2010
..luzes...pincéis...ação!
Quando tudo parecia ter sido feito, uma luz destacou na paisagem uma nova possibilidade, e de súbito o gênio percebeu, seria naquele instante ou nunca mais: tudo precisava ser dito mais uma vez, criar o novo era apenas trazer à luz o que era forte o suficiente desde os primórdios da aventura humana na transformação da matéria. Era pura repetição dos padrões que há milênios encantaram a visão humana, lançando o espírito em veredas desconhecidas mas, paradoxalmente, já percorridas pela alma.
Ser poeta não, poder sê-lo!

Iludir pareceu ser sempre o ofício dos grandes artistas. Disse o poeta que é preciso poder ser, antes de ser poeta, e o fato é que tudo converge para esta máxima: poder ser!
Poder iludir-se, no caso da Arte, é talvez a primeira condição para engendrar na alma uma porta de saída...ou talvez de entrada, para o mundo da visibilidade, carregando nas mãos a vontade de ser além de si, de encontrar-se nos "universais", na "humanidade", esta idéia sublime que não é senão mais um poema, um sonho da vontade de poder ser todos nós.
A Visão essencialista
Ultrapassadas todas as barreiras sociais, uma a uma deixadas no limbo dos arquivos dos imensos escritórios vazios, surge o gesto, um homem se lança sobre o mundo. De onde olha, tudo é luz flamejante. Arde em seu vigor o viço da natureza. É um homem tempestade que se avoluma num horizonte intangível, ameça precipitar da pura essência do ser sobre o chão asfaltado da razão instrumental e lavá-lo. Leva consigo tudo que toca, tudo que encanta, tudo que merece ser visto e pensado de modo extremo. Vincent. Uma sombra negra na paleta comedida de uma época pudica no toilet, mas selvagem na dominação mercantil, voraz nas terras da América e em África, povoada pelos imperialistas, o conservador, que pede mais vinho branco para deleitar-se com suas amantes caídas de seios nus. Vincent, o pastor que dispersou as ovelhas desta sociedade em direção ao abismo de sua indignação. No olho dos corvos ele soube ver seu destino apaixonado antes que pudessem retê-lo por mais tempo numa inútil tarefa de cantar para surdos. Vincent, o record da especulação sobre a Arte. De onde olha, nada vê, senão corvos num milharal.Artaud

Toda vida é trágica. O é por natureza, por ter em si o germe da finitude, da corrupção substancial do que a fez vir a ser. Toda vida é movimento. E o é por pura tragédia, pois de outro modo, seria eterna, seria vista imobilizada num ato de beleza assustadora, plena e inefável.
Todo ato é uma ilusão, pois em si não existe, senão num passado ausente, que devorado pelo eterno mover-se da vida, se revela apenas naquilo que consideramos conscientemente. Não há nada na cena que não seja ato sem fim, reflexos da trágica vida em movimento.
Saturday, May 15, 2010
História em movimento
São muitos os equívocos que se instalaram desde o encontro do chamado Velho Mundo com o suposto Novo Mundo, a começar pela idéia que estes nomes evocam. Sendo impossível determinar o verdadeiro passado dos povos que habitavam a "América", e tampouco, qual teria sido seu destino, se ambas as "civilizações" se encontrassem, ao menos, três séculos mais tarde do que ocorreu, caberia assentir, com urgência, com a necessidade de uma atualização histórica, que nos poupe de deformações tão primárias.
Saturday, May 01, 2010
amor....
e o que é o amor,
senão a busca em vão
um desvio
para o mergulho sem fim
salto súbito
ato único impossível
que se sente passo a passo,
pisar no que não dá para dizer
e nunca chegar senão aonde já se está
é vôo lancinante sem rota nem destino
pura sina das horas imprecisas
duma eternidade precisa
é língua sibilando sombras nas paredes
nos quartos vazios entre serpentes
assaltando o pouso de um sono seguro
da ave em volta do ninho
que é o amor?
este gesto extraordinário
desejo puro de sentido impermeável
a toda vontade de nexo raso
Dizem os poetas que é chama ardendo,
Dizem os poetas que é chama ardendo,
que é infinito enquanto dura,
dizem filósofos que é força e atração,
ordenando o kaos...a fonte da dor,
que nunca cessa, e por isso é belo
que nos poetas é virtude,
mas é origem das batalhas,
que é inefável,
mas é paixão que desata os nós racionais.
o amor é isto que vive
isto que, sem ele, não há porque
pois é ignorar o que é a vida
mas como saber o que é o amor
se nada do que é "saber"
pode vir a ser isto que ele é?
pode vir a ser isto que ele é?
Diria Feürbach, que a razão só responde ao pensamento.
Mas e o sentimento (?), a questão primeira do ser confrontando o mistério do ser ?
Ninguém é verdadeiramente sábio...talvez,isto sim, há quem seja um simples apaixonado... pelo amor.
As Musas, se amam, amam o amor que reside naquilo que o Aedo sente, naquilo que suas palavras cantam, vivas em seu modo de pensar.
Assim eu penso.
Se ousasse tentar dizer mais, poderia parecer verso, mas já disse o Tom: "nossos
versos são banais"...Triste é o amor do amador...e nessa tradução impossível do
amor, eles, os apaixonados pelo amor, vertem obras, e encantam, como as Musas, inspiram ilusões cantadas, boleros do Jobim, lágrimas pensadas, uma a uma, numa
construção...como se fosse a última, até acabar no meio do passeio
público, atrapalhando a contramão da estupidez néscia dos homens que não amam, tampouco são amados, como se fosse lógico...como se
fossem príncipes... que imersos em seu negócios, deixam suas máquinas maquiavélica estacionadas em local proibido pelos deuses.
Se ousasse tentar dizer mais, poderia parecer verso, mas já disse o Tom: "nossos
versos são banais"...Triste é o amor do amador...e nessa tradução impossível do
amor, eles, os apaixonados pelo amor, vertem obras, e encantam, como as Musas, inspiram ilusões cantadas, boleros do Jobim, lágrimas pensadas, uma a uma, numa
construção...como se fosse a última, até acabar no meio do passeio
público, atrapalhando a contramão da estupidez néscia dos homens que não amam, tampouco são amados, como se fosse lógico...como se
fossem príncipes... que imersos em seu negócios, deixam suas máquinas maquiavélica estacionadas em local proibido pelos deuses.
Tristes e sós.
Wednesday, April 21, 2010
O sonho do Pássaro
Ontem, quando via o ceú pela retina de meus olhos pequenos, pousei num sonho...
Ayer, cuando vi el cielo a través de la retina de mis ojos pequeños, aterrizó un un sueño ...
Tuesday, March 30, 2010
Tuesday, November 24, 2009
Autoconhecimento
Conhecer é sem dúvida um destino natural do homem, razão pela qual, nasce num dado momento, a necessidade de definir o que é isto – o conhecimento.
Do mesmo modo, torna-se também objeto de investigação, quais seriam as formas de vir a ter acesso aos tipos diferentes de conhecimento. O pensamento posto em movimento nunca mais cessou de voltar a si mesmo. É nesse contexto, dos mais abrangentes, que o termo genérico filosofia surge, e assume significado no imaginário, se instalando permanentemente no vocabulário daqueles que se dedicaram a buscar o saber.
De outro ponto de vista, daquilo que se pode dizer da Filosofia, talvez o mais próximo do que seja a sua real essência e movimento, é que ela é autoconhecimento.
Heráclito sintetiza a questão, afirmando que o que fez foi buscar a si mesmo durante toda a sua vida, reconhecendo, por assim dizer, o caráter deste processo, que não é senão uma jornada rumo à interioridade.
O autoconhecimento aparece finalmente imortalizado no aforismo socrático: conhece-te a ti mesmo, segundo a tradição grega, exposto logo à entrada do pórtico de Apolo em Delphos.
É certo portanto afirmar que o filosofar, por remeter diretamente ao conhecimento de si mesmo, é então uma necessidade e parte intrínseca, decisiva, do desenvolvimento humano em sua inteira grandeza – corpo, mente e espírito. Deste modo, o homem se pôs em atitude reflexiva, projetando-se permanentemente, num movimento transcendental, de si para si, levando e trazendo imagens durante o contato com seu mundo subjetivo, com suas idéias, para finalmente colocar-se frente à sua natureza essencial: sua imaginação e racionalidade.
Foi a partir dessa experimentação, portanto, que nasceu a construção da noção de humanidade, na qual se destaca o edifício da razão, na qual o homem se define como é: um ser que atua reflexivamente, criador de símbolos e significados, comprovando a veracidade dos aspectos fundamentais que norteiam sua existência como gênero.
Mas de todas as conquistas do pensamento, a maior delas certamente, foi a da idéia de Deus, de um Ser supremo, absoluto, infinito, eterno, perfeito, que é também a um só tempo, indefinível e inefável em sua inteira grandeza. Nele, isto é, projetando-se para compreender a grandeza da noção de Deus, o homem acabou por transcender sua condição material, conhecendo o paradoxo de experimentar algo a partir de si, mas que no entanto era absolutamente além de si mesmo. Percebeu assim, os limites de sua razão, que se apresentou incapaz de abranger completamente todos os aspectos desta experiência. Porém, a despeito desta limitação, pode projetar-se ainda num devir permanente como uma entidade autônoma que participa de modo particular nesta realidade universal, extraordinária e absoluta.
Do mesmo modo, torna-se também objeto de investigação, quais seriam as formas de vir a ter acesso aos tipos diferentes de conhecimento. O pensamento posto em movimento nunca mais cessou de voltar a si mesmo. É nesse contexto, dos mais abrangentes, que o termo genérico filosofia surge, e assume significado no imaginário, se instalando permanentemente no vocabulário daqueles que se dedicaram a buscar o saber.
De outro ponto de vista, daquilo que se pode dizer da Filosofia, talvez o mais próximo do que seja a sua real essência e movimento, é que ela é autoconhecimento.
Heráclito sintetiza a questão, afirmando que o que fez foi buscar a si mesmo durante toda a sua vida, reconhecendo, por assim dizer, o caráter deste processo, que não é senão uma jornada rumo à interioridade.
O autoconhecimento aparece finalmente imortalizado no aforismo socrático: conhece-te a ti mesmo, segundo a tradição grega, exposto logo à entrada do pórtico de Apolo em Delphos.
É certo portanto afirmar que o filosofar, por remeter diretamente ao conhecimento de si mesmo, é então uma necessidade e parte intrínseca, decisiva, do desenvolvimento humano em sua inteira grandeza – corpo, mente e espírito. Deste modo, o homem se pôs em atitude reflexiva, projetando-se permanentemente, num movimento transcendental, de si para si, levando e trazendo imagens durante o contato com seu mundo subjetivo, com suas idéias, para finalmente colocar-se frente à sua natureza essencial: sua imaginação e racionalidade.
Foi a partir dessa experimentação, portanto, que nasceu a construção da noção de humanidade, na qual se destaca o edifício da razão, na qual o homem se define como é: um ser que atua reflexivamente, criador de símbolos e significados, comprovando a veracidade dos aspectos fundamentais que norteiam sua existência como gênero.
Mas de todas as conquistas do pensamento, a maior delas certamente, foi a da idéia de Deus, de um Ser supremo, absoluto, infinito, eterno, perfeito, que é também a um só tempo, indefinível e inefável em sua inteira grandeza. Nele, isto é, projetando-se para compreender a grandeza da noção de Deus, o homem acabou por transcender sua condição material, conhecendo o paradoxo de experimentar algo a partir de si, mas que no entanto era absolutamente além de si mesmo. Percebeu assim, os limites de sua razão, que se apresentou incapaz de abranger completamente todos os aspectos desta experiência. Porém, a despeito desta limitação, pode projetar-se ainda num devir permanente como uma entidade autônoma que participa de modo particular nesta realidade universal, extraordinária e absoluta.
Wednesday, November 11, 2009
Um rio que passou em minha vida
Tuesday, June 09, 2009
ver tigem
Alquimia
Hoje não é um dia comum, como todos os outros que já experimentei, nenhum deles até aqui foi o mesmo pois eu nunca fui o mesmo.
Sendo assim, deste modo que me leva a dizer que nunca fui o mesmo, sou exatamente como qualquer um. Sou como todos os outros são. Sou um estranho.
Se há algo que é diferente em mim, que me distancia de algum outro, é porque isto é igual em todos os que estão despertos, todos os que sabem que sonham e que a vida pode não existir além deste sonho.
Despertei em algum momento que não lembro, mas isto me é indiferente agora pois sei que não posso compreender aquilo que me contém como uma ínfima parte. Falo neste instante do que todos chamam de tempo, desta abstração que é uma das maravilhas da arte da matemática, uma das grandes obras primas da consciência em seu ímpeto de cortejar a razão, sua filha mais nova.
Antes de seguir para o que pode ser absolutamente comum, prefiro preferir o inexato ao abstruso, o inextinguível ao superável, isto que só pode ser solvente da ignorância humana. Não me entristece saber o quanto sou capaz de ignorar as coisas e mais ainda, não me alegro com a idéia de ter algum conhecimento sobre coisas que outros dizem conhecer também.
Evidentemente nada é evidente além de nossa ignorância sobre o quanto ignoramos. Fato este que me aproxima do paradoxal sentimento de me comover com a natureza humana em sua romântica forma de manifestar seus credos, e ao mesmo tempo ser indiferente a ela, ao perceber que tais credos, que justamente caracterizam a espécie humana, são execrados pelos oficiais do saber oficial.
Certa tempo atrás me levantei e vi que andava para algum lugar. Disseram-me que era isto o que fazia enquanto sorriam alegres comigo, pela grandiosidade desse domínio de meu equilíbrio. Perseverei e me mantive a caminho, e até agora sigo para algum lugar, a cada passo observo os sorrisos e gestos convencionados pelo grupo que me domina o sentido de eu ter me levantado desde que me levantei. O mesmo aconteceu com eles há algum tempo.
Li muitas coisas que nunca compreendi, e vi mais tantas outras que nem sequer foram importantes para minha atenção sobre quem as escreveu... livros. Mas foi num desses dias, creio que numa das páginas que lia, que devo ter sonhado sem perceber, e sem mais nem menos nunca mais pude dormir. Uma insônia indefinida me acompanhou desde então, me conduzindo sem tréguas para onde vou, ela me estimula a crer que é possível o desconhecido.
A princípio eu resisti, parecia dormir, ao menos me deitava, fechava os olhos, beijava a mulher, rolava de um lado para o outro e súbito acordava num outro dia, que julgava ser outro, o dia depois de ontem.
Estranhava algo que não entendia, mas amanhã será outro dia.
Foi assim durante algum tempo. Lembro de ter escrito que havia algo acontecendo: “ algo extraordinário é real em mim, algo que me leva a escrever isto, parece que me transborda e toma as minhas extremidades escoando pela caneta”. Na data que marquei ao final da frase eu considerei ser 1985. O mês eu não sei, devo ter dado pouca relevância para deixar de anotar. Relevância que hoje é absolutamente ausente, pois sei que nada há de mais ilusório que o tempo.
De onde penso agora, a idéia de continuidade ou de eu persistir durante o transcorrer de um período de tempo é absurda, sem sentido para que eu a considere válida quanto ao modo de interagir com a minha realidade, isto é, nenhuma sincronia que possa reger seguramente o mundo que habito e também que se ajuste ao mundo de todos os outros.
Sonho, tanto quanto todos os demais, que a vida é repleta de fatos verdadeiros, que possuem fundamentos históricos, filosóficos, religiosos e mais tantas outras razões de ser que norteiam o dia oficial. Segundo este sonho eu prossigo, progrido, evoluo, me desenvolvo, enriqueço e envelheço. Um sonho que alimento ou não segundo minha vontade, que por sua vez é absolutamente incontrolável, senão na ínfima parte do que faço durante minha experiência de mim. Do que posso controlar tiro a imagem de mim que todos os outros também tiram de si mesmos.
Desejo comer e beber por compulsão natural, me habituaram ser deste modo, embora tenha descoberto que tanto o que como ou bebo dependem mais de minha cultura do que de minha constituição física. Vi que há quem coma o que sou incapaz de ingerir e beba igualmente o que jamais poderia consumir por livre e espontânea vontade.
E há ainda o extraordinário caso de alguém que ficou sem ingerir nada sem ter adoecido ou morrido! Este é um fato que se mistura a outros dos dias comuns, mas que me fazem lembrar que não durmo mais.
A liberdade é uma palavra especial dentro do vocabulário humano, capaz de desencadear longas reflexões, disputas, assassinatos e guerras; protagoniza romances que enchem de lágrimas os olhos dos leitores e de dinheiro as contas de quem a defende nos púlpitos e telas de cinema. Salve salve ó liberdade...
Já não durmo e por isso não posso dizer nada em liberdade, só posso dizer tudo que sei com as palavras que me ensinaram, usando conceitos que me engajei, ditos segundo uma gramática e lógica coerentes com a de todos os outros que considero adormecidos. Talvez sonhem em outra língua, outro léxico, nenhuma lógica, metafísica ou ...cartesiana...Nesse caso nada preciso dizer, pois como eu, eles sabem que não sei dizer nada, embora não tenham dúvidas do que sinto ser verdade. Apenas estamos seguindo o sonho de sermos livres para sonharmos acordados.
ps:Acabo de encontrar este texto, inacabado...eu acho...escrito há dois anos, em 2007...mantido preso no esquecimento do cotidiano da máquina e no ofício de Ser humano. Demorei a reconhecer que eu era o autor... só quando li o trecho que falava de algo que escrevi em 1985 é que me surpreendi... afinal era eu me dizendo ... estou perplexo ainda. Continuo mais tarde...Andriole
Sendo assim, deste modo que me leva a dizer que nunca fui o mesmo, sou exatamente como qualquer um. Sou como todos os outros são. Sou um estranho.
Se há algo que é diferente em mim, que me distancia de algum outro, é porque isto é igual em todos os que estão despertos, todos os que sabem que sonham e que a vida pode não existir além deste sonho.
Despertei em algum momento que não lembro, mas isto me é indiferente agora pois sei que não posso compreender aquilo que me contém como uma ínfima parte. Falo neste instante do que todos chamam de tempo, desta abstração que é uma das maravilhas da arte da matemática, uma das grandes obras primas da consciência em seu ímpeto de cortejar a razão, sua filha mais nova.
Antes de seguir para o que pode ser absolutamente comum, prefiro preferir o inexato ao abstruso, o inextinguível ao superável, isto que só pode ser solvente da ignorância humana. Não me entristece saber o quanto sou capaz de ignorar as coisas e mais ainda, não me alegro com a idéia de ter algum conhecimento sobre coisas que outros dizem conhecer também.
Evidentemente nada é evidente além de nossa ignorância sobre o quanto ignoramos. Fato este que me aproxima do paradoxal sentimento de me comover com a natureza humana em sua romântica forma de manifestar seus credos, e ao mesmo tempo ser indiferente a ela, ao perceber que tais credos, que justamente caracterizam a espécie humana, são execrados pelos oficiais do saber oficial.
Certa tempo atrás me levantei e vi que andava para algum lugar. Disseram-me que era isto o que fazia enquanto sorriam alegres comigo, pela grandiosidade desse domínio de meu equilíbrio. Perseverei e me mantive a caminho, e até agora sigo para algum lugar, a cada passo observo os sorrisos e gestos convencionados pelo grupo que me domina o sentido de eu ter me levantado desde que me levantei. O mesmo aconteceu com eles há algum tempo.
Li muitas coisas que nunca compreendi, e vi mais tantas outras que nem sequer foram importantes para minha atenção sobre quem as escreveu... livros. Mas foi num desses dias, creio que numa das páginas que lia, que devo ter sonhado sem perceber, e sem mais nem menos nunca mais pude dormir. Uma insônia indefinida me acompanhou desde então, me conduzindo sem tréguas para onde vou, ela me estimula a crer que é possível o desconhecido.
A princípio eu resisti, parecia dormir, ao menos me deitava, fechava os olhos, beijava a mulher, rolava de um lado para o outro e súbito acordava num outro dia, que julgava ser outro, o dia depois de ontem.
Estranhava algo que não entendia, mas amanhã será outro dia.
Foi assim durante algum tempo. Lembro de ter escrito que havia algo acontecendo: “ algo extraordinário é real em mim, algo que me leva a escrever isto, parece que me transborda e toma as minhas extremidades escoando pela caneta”. Na data que marquei ao final da frase eu considerei ser 1985. O mês eu não sei, devo ter dado pouca relevância para deixar de anotar. Relevância que hoje é absolutamente ausente, pois sei que nada há de mais ilusório que o tempo.
De onde penso agora, a idéia de continuidade ou de eu persistir durante o transcorrer de um período de tempo é absurda, sem sentido para que eu a considere válida quanto ao modo de interagir com a minha realidade, isto é, nenhuma sincronia que possa reger seguramente o mundo que habito e também que se ajuste ao mundo de todos os outros.
Sonho, tanto quanto todos os demais, que a vida é repleta de fatos verdadeiros, que possuem fundamentos históricos, filosóficos, religiosos e mais tantas outras razões de ser que norteiam o dia oficial. Segundo este sonho eu prossigo, progrido, evoluo, me desenvolvo, enriqueço e envelheço. Um sonho que alimento ou não segundo minha vontade, que por sua vez é absolutamente incontrolável, senão na ínfima parte do que faço durante minha experiência de mim. Do que posso controlar tiro a imagem de mim que todos os outros também tiram de si mesmos.
Desejo comer e beber por compulsão natural, me habituaram ser deste modo, embora tenha descoberto que tanto o que como ou bebo dependem mais de minha cultura do que de minha constituição física. Vi que há quem coma o que sou incapaz de ingerir e beba igualmente o que jamais poderia consumir por livre e espontânea vontade.
E há ainda o extraordinário caso de alguém que ficou sem ingerir nada sem ter adoecido ou morrido! Este é um fato que se mistura a outros dos dias comuns, mas que me fazem lembrar que não durmo mais.
A liberdade é uma palavra especial dentro do vocabulário humano, capaz de desencadear longas reflexões, disputas, assassinatos e guerras; protagoniza romances que enchem de lágrimas os olhos dos leitores e de dinheiro as contas de quem a defende nos púlpitos e telas de cinema. Salve salve ó liberdade...
Já não durmo e por isso não posso dizer nada em liberdade, só posso dizer tudo que sei com as palavras que me ensinaram, usando conceitos que me engajei, ditos segundo uma gramática e lógica coerentes com a de todos os outros que considero adormecidos. Talvez sonhem em outra língua, outro léxico, nenhuma lógica, metafísica ou ...cartesiana...Nesse caso nada preciso dizer, pois como eu, eles sabem que não sei dizer nada, embora não tenham dúvidas do que sinto ser verdade. Apenas estamos seguindo o sonho de sermos livres para sonharmos acordados.
ps:Acabo de encontrar este texto, inacabado...eu acho...escrito há dois anos, em 2007...mantido preso no esquecimento do cotidiano da máquina e no ofício de Ser humano. Demorei a reconhecer que eu era o autor... só quando li o trecho que falava de algo que escrevi em 1985 é que me surpreendi... afinal era eu me dizendo ... estou perplexo ainda. Continuo mais tarde...Andriole
Friday, June 05, 2009
IMAGENS E VIDA TRADICIONAL AFRICANA
"Se queres saber quem sou,
Se queres que te ensine o que sei,
Deixa um pouco de ser o que tu és,
E esquece o que sabes".
Tierno Bokar, o sábio de Bandiagara
É preciso afirmar que quando tratamos de conhecer o que é a tradição em relação à história africana, antes temos que considerar a palavra falada, na medida em que é na oralidade que está realmente a fonte que revela a profundidade da complexa rede simbólica que manifesta o sentido da “vida africana”. Portanto, antes é preciso saber ouvir.
“Nas tradições africanas - pelo menos nas que conheço e que dizem respeito a toda a região de savana ao sul do Saara -, a palavra falada se empossava, além de um valor moral fundamental, de um caráter sagrado vinculado à sua origem divina e às forças ocultas nela depositadas”.
Hampaté Bâ - in Introdução à Cultura Africana. Lisboa: Edições 70, 1977
A voz da África tradicional, quando soa, de imediato nos encanta, emerge vibrante em meio ao intricado emaranhado de símbolos e ritos que sustentam o rico universo espiritual do povo africano. Nesta esfera orbitam as palavras e nomes, em torno das imagens dos mitos da criação, dos deuses, dos ancestrais fundadores dos povos, detentores dos conhecimentos esotéricos, que sobrevivem graças à transmissão direta entre as gerações, que desde os tempos remotos ultrapassaram as dimensões temporais e ligaram as épocas. São segredos vivos, portanto, vozes ecoando nos discípulos de mestres ancestrais, vivos em homens que se mantém dedicados no cumprimento de um destino cósmico, no qual, são a um só tempo os guardiões dos mistérios ancestrais e a própria ancestralidade futura. Sendo os herdeiros deste saber, estes homens são, já em vida, membros de uma comunidade de espíritos orientadores das futuras gerações, constituindo junto destes e de todos os demais elementos da cultura, uma só totalidade, na qual se forja a identidade africana.
O que é possível saber sobre a África advém da compreensão dessa realidade integrada, da diluição das dimensões espaço tempo, da liberdade de comunicação entre as esferas material e espiritual, do permanente vínculo entre o presente e o passado transformados nos objetos num só amalgama. Estamos assim, enquanto pesquisadores, diante de uma condição inexorável: para ascender à esta ancestralidade africana temos antes de deixar de ser interpretes para apenas vir a poder “ouvi-la”.
Assim, só quando imbuídos de um olhar liberto de preconceitos, é que entramos no universo dessa produção material, só quando, antes de os consideramos uma materialização similar à nossa noção de arte, encontramos, justamente no silêncio de uma máscara ou de uma cabeça em terracota, a mesma eloqüência da história contada à luz do fogo por um destes anciãos. Podemos então, nesta condição, apreender imediatamente da visão, já não da máscara, mas do ente em si, a sua incrível força expressiva, e finalmente, sermos envolvidos por sua força vital, que nos lança num estranhamento quanto à própria natureza dessa observação, e da que é a essência do objeto.
No âmbito da apreciação descomprometida, do leigo, sabemos que os séculos de hábitos reiterados moldaram a cultura moderna, e conseqüentemente, nosso temperamento e disposição para com a arte.
Em geral, vemos o que queremos, e disto que vemos, pouco reflete o objeto em si, porque na verdade, antes da apreensão direta de uma visão inédita, buscamos no objeto observado aquilo que já conhecemos , buscamos encontrar na máscara ou na cabeça de bronze, aquilo que nos desperta para o mesmo prazer de conhecer as formas, a beleza, harmonia, identificarmos a técnica e maestria, enfim, gostamos muito mais dos processos intelectivos que iniciam com a visão. Preferimos reconhecer, antes de ver.
Sendo ocidentais, somos filhos da racionalidade grega, do escrutínio lógico analítico, da comparação e de seus desdobramentos filosóficos e científicos na modernidade, e por isto, o que está para além dos limites da razão nos soa estranho.
Esta diferença substancial no modo de relação com aquilo que apreendemos das coisas do mundo, é que nos impede de ascender ao puro conhecimento da produção material africana.
Não podemos compartilhar dos mesmos conhecimentos porque não compartilhamos dos mesmos sentimentos, um abismo temporal nos distancia deste mundo onde homens e deuses, vida e natureza são partes indissociáveis de um só destino.
O que é possível saber sobre a África advém da compreensão dessa realidade integrada, da diluição das dimensões espaço tempo, da liberdade de comunicação entre as esferas material e espiritual, do permanente vínculo entre o presente e o passado transformados nos objetos num só amalgama. Estamos assim, enquanto pesquisadores, diante de uma condição inexorável: para ascender à esta ancestralidade africana temos antes de deixar de ser interpretes para apenas vir a poder “ouvi-la”.
Assim, só quando imbuídos de um olhar liberto de preconceitos, é que entramos no universo dessa produção material, só quando, antes de os consideramos uma materialização similar à nossa noção de arte, encontramos, justamente no silêncio de uma máscara ou de uma cabeça em terracota, a mesma eloqüência da história contada à luz do fogo por um destes anciãos. Podemos então, nesta condição, apreender imediatamente da visão, já não da máscara, mas do ente em si, a sua incrível força expressiva, e finalmente, sermos envolvidos por sua força vital, que nos lança num estranhamento quanto à própria natureza dessa observação, e da que é a essência do objeto.
No âmbito da apreciação descomprometida, do leigo, sabemos que os séculos de hábitos reiterados moldaram a cultura moderna, e conseqüentemente, nosso temperamento e disposição para com a arte.
Em geral, vemos o que queremos, e disto que vemos, pouco reflete o objeto em si, porque na verdade, antes da apreensão direta de uma visão inédita, buscamos no objeto observado aquilo que já conhecemos , buscamos encontrar na máscara ou na cabeça de bronze, aquilo que nos desperta para o mesmo prazer de conhecer as formas, a beleza, harmonia, identificarmos a técnica e maestria, enfim, gostamos muito mais dos processos intelectivos que iniciam com a visão. Preferimos reconhecer, antes de ver.
Sendo ocidentais, somos filhos da racionalidade grega, do escrutínio lógico analítico, da comparação e de seus desdobramentos filosóficos e científicos na modernidade, e por isto, o que está para além dos limites da razão nos soa estranho.
Esta diferença substancial no modo de relação com aquilo que apreendemos das coisas do mundo, é que nos impede de ascender ao puro conhecimento da produção material africana.
Não podemos compartilhar dos mesmos conhecimentos porque não compartilhamos dos mesmos sentimentos, um abismo temporal nos distancia deste mundo onde homens e deuses, vida e natureza são partes indissociáveis de um só destino.
Saturday, May 30, 2009
O Rio e a Chuva
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Toda história humana está contida na água. Nas profundezas se escondem nosso momento inaugural como seres vivos. Sob a visão mítica de Tales a centelha originária de tudo é a água, visão que os evolucionistas acabam por plagiar com menos imaginação e lirismo. Sendo dos quatro elementos o mais metamorfoseante e o mais profundo, é na água que reencontramos nossa capacidade de ir além dos limites fíxos, para ir de encontro à nossa emoção, e com sorte saborear o sal de alguma boa lágrima.
Thursday, May 28, 2009
Marte: arqueologia futura
Circularidade

De quando em quando povoo este blog, que está sempre no início. Com ele inicio um trajeto circular infinito, porém, sempre inédito. De tudo aquilo que aqui está, de tudo o que digo, que mostro, salta sempre um passado vivo, pulsante, e por isso, em verdade, uma atualização que dirijo a mim. Circulo atrás de meus próprios passos e me espreito de longe. Lá dessa distância imensa, onde me mantenho sempre à frente, rumo a consecussão de meu ser, de quando em quando olho para trás...cruzo o horizonte da razoabilidade, para admitir que entre este Eu que vejo no passado e este que Sou agora, há justamente a verdade que me alimentou a trangredir
minhas angústias e minhas esperanças. É nessa região que se esconde minha vontade de vir a ser.
minhas angústias e minhas esperanças. É nessa região que se esconde minha vontade de vir a ser.
Caminhos
Sunday, May 24, 2009
Wednesday, May 13, 2009
Conhecer
No mais, daquilo que as conjecturas racionais edificam, observamos só os efeitos de nossa arguição, que nada mais são do que outra forma de expressar nossa capacidade de amar; nesse caso, do amor pela palavra dirigida pelo pensamento lógico e matemático. Assim, se fosse possivel elaborar uma definição do homem, poderia dizer-se que ele é um ser em permanente movimento criador, um ser que em sua trajetória pela existência percorre sempre caminhos inéditos, porém, inevitavelmente conhecidos de seu espírito, posto que em si é capaz de engendrar toda a história de sua espécie e, sobretudo, de crer naquilo que imagina ser sua origem. Se crermos numa origem divina, recairemos no Amor, explicitado pelas religiões, e se, crermos numa evolução da espécie, seremos levados a admitir que a solidariedade e amor pelas crianças foi a condição para podermos estar neste momento atual. Sempre seremos conduzidos à necessidade primeira do Amor para justificarmos a existência.Tantos são os caminhos do conhecimento, no entanto, todos resultam de uma forma de Arte, entendida aqui como o nome genérico dado a um processo contínuo de aperfeiçoamento das experiências vividas que, mais uma vez, é movido pela força primordial que a tudo impulsiona: o Amor.
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