Tuesday, February 15, 2011

Sobre a Arte

 Dizer sobre a obra de Arte, sempre será uma dificuldade quase intransponível a todo aquele que mira o sentido mais profundo da obra. E está condição prevalece, mesmo quando se trata do depoimento do próprio artista sobre sua obra. No entanto, é a partir dessa dificuldade e condição que inicio uma reflexão possível sobre a Arte que faço.
Acima de tudo, vejo que o ato da criação converge para a materialização do universo interno do artista, revelando sobretudo, a face de uma época na qual ele se situa. Porém, quando falo aqui de época, me refiro às instâncias possíveis de contatar pela ação também da imaginação, ou seja, “lugares” muita vezes regidos antes pela ausência de tempo ou ucronia. Deste modo, este não é um “tempo” povoado por datas comuns é claro, e possui um ritmo diferente do calendário de trinta dias. O tempo interno é paradoxalmente sem tempo, é um salto para além destas limitações que a compreensão exige, mas é também, uma pausa para viver o dia a dia, e para o café. A vida na Arte decorre destes dois tempos de ser: ser Homem/nome e ser mais do que isso, isto é, ser esta vontade de ser para além de si para poder encontrar o que é de todos, o Universal.
Quando olho para minha obra, vejo muito mais do que pretendia mostrar. Meu passado me aparece como o de muitos outros que sei que não fui senão apenas na Obra. Contudo, há uma parcela de significado que ainda me permanece legível, por assim dizer, que ecoa do centro de cada obra e faz girar em torno de si uma constelação de possibilidades únicas de interpretação. A escolha por um dos caminhos leva inexoravelmente a um só destino estético, as sobreposições, se ocorrem, enlaçam apenas as várias pegadas deixadas para trás pelo caminho trilhado. É nesse sentido que a obra atua como centro gravitacional de uma plêiade de idéias únicas. Este centro pulsante pode ser reconhecido também em cada gesto, ou na pintura inteira, ou ainda no conjunto de toda a produção do artista.
Em meu caso, a busca consiste na reflexão sobre as Origens, seja a do Homem, do Universo Mítico, ou de meu País - mas isto não é o mesmo que investigar a realidade história do Brasil, pois a investigação é parte da história investigada também, e tudo que antecede cada decisão e pretensão fará parte indissolúvel desse todo que se revela depois na Obra.
Para tudo sempre há um método, mesmo que oculto do próprio artista.
Minha investigação visa justapor visões aparentemente inconciliáveis, e fazer com que os contrários se completem e se preservem em sua autonomia. Real e imaginado, matéria e intuição, luz e sombra, palavra e eco, tudo se entrelaça sem que eu tenha domínio do que irá fulgurar no final, mesmo porque, custo a admitir que haja algum final, senão, apenas intervalos entre o que sou capaz de discernir e uma totalidade que me ultrapassa. Na verdade, com isso, busco fazer com que estes contrários sejam igualmente além de si mesmos, que transcendam suas características intrínsecas, e finalmente instaurem um novo paradigma: o Universo inefável desocultado da Obra, sobre a qual a linguagem se estende sem alcançar limites.
A imagem que almejo sempre está acima de minha total compreensão, mas é justamente essa indeterminação, a meu ver, que é a origem da sua identidade e o motivo que anima a próxima realização.
Minha formação sempre é o ponto de partida dessa jornada que tem destino desconhecido para mim. Daí a necessidade de mergulhar na tradição, no primitivo e no ancestral, mas persistir em meu tempo externo, fazer a Obra fora do tempo, e manter-me ciente da influência contemporânea.
A Filosofia, a Ciência e a Arte fecundam meus passos e norteiam minha criação. O estudo me cativa profundamente, talvez tanto quanto o fazer. Mas é a intuição que dá o impulso vital, sem ela nada se realiza efetivamente. Sou artista inspirado, confesso.
Há nesse processo criativo, um componente extraordinário, algo que é inefável e ao mesmo tempo inequívoco na Obra, uma espécie de essência mágica talvez. Isto é o que caracteriza o objeto artístico no meu ver, e é o que já se apresentava aos olhos do primeiro homem nas origens da humanidade.
Creio que há muito ainda para se descobrir sobre isto, esse termo inefável e mítico, paradoxal; mas só mentes e espíritos livres, talvez num futuro muito distante dos preconceitos deste tempo, terão condições mais favoráveis para restabelecer um caminho que se perdeu há muito. Este poder sedutor, este elo que se projeta com a Obra, suspendendo a dualidade entre o observador e o objeto, é o sentido último da Arte em meu entender.
Quando focalizo o mundo da tradição e dos ritos ancestrais brasileiros, tenho em mente, evocar esta atmosfera encantada, para que sob suas luzes, a minha visão se amplie além do que os estudos formais me forneceram. O contato com representantes dos povos indígenas do Brasil reforçaram este ideal. O desenvolvimento de minha Obra está pontuado por estas experiências, algumas bastante insólitas até, e que por si mesmas dão alicerce ao que a intuição me induz no conduzir a matéria plástica.
Por outro lado, o convívio na Universidade, estabeleceu o parâmetro científico, o método e a consciência acerca da técnica. Isto constitui um pano de fundo inestimável. Deste modo, o relato do arqueólogo se mescla com a fala do índio, e a Ciência se amplia para limites que comportam o improvável , abrindo o livre para a imagem intuitiva. Assim, já não se trata mais da defesa de uma tese acadêmica, ou de um devaneio artístico tampouco. São opostos que entram em harmonia. A História e a Ciência se banham com a Poesia e nenhum traço de oposição interfere na lógica interna da Pintura.
O tempo das distinções é deixado para trás, e a realidade que a Obra abre está para além do que é possível descrever em apenas um domínio. Neste universo mítico trazido à luz pela evocação ancestral indígena, a vida se beneficia com possibilidades intangíveis e curva-se solenemente aos desígnios que cada imagem encerra.
O contato que mantenho com a natureza hoje decorre dessa postura para com a Arte, as Ciências, a Filosofia e com a memória dos povos ancestrais.
Em 1988 me mudei para Ibiúna, interior de São Paulo, instalando meu atelier numa pequena chácara, onde pássaros e animais silvestres espreitaram meus movimentos com os pincéis. O isolamento foi fecundo e enraizou em mim o gosto pela introspecção. Os anos transcorreram e das matas escuras aportei em uma praia quente no litoral sul de São Paulo – Itanhaém.

English

ABOUT the ART

Say about the work of art will always be an almost insurmountable difficulty to everyone who sees the deeper meaning of work. And it is a condition prevails, even when it comes to the artist's own testimony about his work. However, it is from this difficult condition and that can start a discussion about the art I make.
Above all, I see that the act of creation converges to the materialization of the inner universe of the artist, revealing above all, the face of an era in which it is situated. But when I speak here of the time, I am referring to instances of possible contact by the action of the imagination as well, ie "places" a lot of times before governed by the lack of time or Uchronia. Thus, this is not a "time" populated by common dates of course, has a different pace and the schedule of thirty days. The internal time is no time, paradoxically, is a leap beyond these limitations requires that understanding, but is also a break to live day to day, and for coffee. Life in Art follows this two times to be: Be Human / name and be more than that, that is, that this will be apart from each other in order to find what belongs to everyone, Universal.
When I look at my work, I see a lot more than he intended to show. My past appears to me as the many others who do not know but I was just in the Work. However, there is a modicum of meaning that it still remains readable, so to speak, that echoes the center of each piece and rotates around him a constellation of unique possibilities of interpretation. The choice of one path leads inexorably to a single destination aesthetic, overlaps, if they occur, only those snared several footprints left behind by the path taken. In this sense, the work acts as a gravitational center of a host of unique ideas. This pulsating heart can be recognized also by every gesture, or the whole painting, or the set of all production of the artist.
In my case, the search is to reflect on the origins, be it human, the mythical universe, or of my country - but this is not the same as reality investigate the history of Brazil, because the investigation is part of the story also investigated and all preceding each decision and will claim an indissoluble part of the whole that is revealed later in the Work.
To everything there is always a method, even if hidden by the artist himself.
My research aims to juxtapose seemingly irreconcilable views, and make contraries to complement and preserve in its autonomy. Real and imagined, material and intuition, light and shadow, and word echo, everything is intertwined without me having domain that will sparkle at the end, even, because the cost to admit that there is some final, but only intervals between what I am able to discern a whole and beyond me. In fact, with this, I seek to make these opposites are equally beyond themselves, transcending their inherent characteristics, and finally establish a new paradigm: the universe of ineffable unconcealed Work, upon which the language extends reach without limits.
The image above is always long for my full understanding, but it is precisely this indeterminacy, in my view, that is the source of their identity and the motive that inspires the next achievement.
My training is always the starting point of this journey that has destination unknown to me. Hence the need to dive into the tradition, the ancient and primitive, but persists in my time outside, do the Work out of time, and keep me aware of contemporary influence.
Philosophy, Science and Art enrich and guide my footsteps my creation. The study captivates me deeply, perhaps as much to do. But it is the intuition that gives the vital impulse, without it nothing is done effectively. I am an artist inspired, I confess.
There is this creative process, a component extraordinary , something that is ineffable and yet unmistakable in the work, a sort of magical essence perhaps. This is what characterizes the artistic object in my view and is what has presented itself in the eyes of the first man on the origins of humanity.
I think there is much still to discover about it, this term ineffable and mythical, paradoxically, but only minds and free spirits, perhaps very far future of the prejudices of the time, have more favorable conditions for restoring a path that was lost long ago. This seductive power, this bond that protrudes through the Work, suspending the duality between observer and object, is the ultimate meaning of art in my opinion.
If I focus on the world of tradition and ancestral rites Brazilians have in mind, evoking the atmosphere enchanted , so that under your lights, my vision extends beyond the formal studies that have provided me. Contact with representatives of indigenous peoples of Brazil have reinforced this ideal. The development of my Work is punctuated by these experiences, some quite unusual even for themselves and give to the foundation that intuition leads me to lead in plastics.
Moreover, living in the University, established the scientific parameter, the method and awareness of the technique. This is an invaluable background. Thus, the story of archaeologist merges with the speech of Indian Science and widens to include the limits that unlikely, opening free to the intuitive image. So, now it is no longer the defense of an academic thesis, or an artistic reverie either. They are opposites who come into harmony. History and Science bathe with poetry and no trace of opposition interfere in the internal logic of painting.
The time of the awards is left behind, and the reality that the Work is open beyond what can be described in just one area. In this mythical universe brought to light by evoking ancestral indigenous life intangible benefits from opportunities and bows solemnly to the designs that each image contains.
The contact that I hold today due to the nature of this attitude toward the Arts, Sciences, Philosophy and the memory of ancestral peoples.
In 1988 I moved to Ibiúna, São Paulo, installing my studio in a small yard, where birds and wild animals lurked my movements with the brush. The isolation was fruitful and deeply rooted in me a taste for introspection. The years passed and the forest dark landed on a hot beach on the southern coast of Sao Paulo - Itanhaém.


 


Sunday, February 06, 2011

biografia

DO ESPÍRITO PARA O ESPÍRITO 
A Arte é uma ação do espírito para o espírito, e, portanto, tem necessariamente de percorrer instâncias além de qualquer lei conhecida pela Ciência moderna.
Daí minha preocupação em buscar a essência, o universal, sem prender-me a nenhum modismo ou movimento artístico específico. Carrego influências diversas, é claro, porém, não saberia dizer o quanto elas já se transformaram em mim ou quanto ainda irão permanecer vivas na obra.
É dessa forma, a meu ver, que independentemente de quaisquer outros fatores, muitos alheios ao real ofício do artista, sigo em busca da realização maior da Arte: o encantamento do ser.
                                                                                                                                                                         
                                                                                                                                                         Andriole



Mauro Andriole
Nasce em 16 de janeiro de 1963 em São Paulo, Brasil.


FORMAÇÃO
2001/ 08
Filosofia na USP - FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS, CIÊNCIAS SOCIAIS E HISTÓRIA, da UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP, Brasil
CURSO CENTRADO EM PESQUISA NAS ÁREAS DA
ESTÉTICA, METAFÍSICA, ANTROPOLOGIA E FILOSOFIA DA ARTE

1980-78
História da Arte, Fotografia, Desenho de Expressão, Desenho Técnico e Técnicas de Impressão no Colégio Técnico IADÊ - INSTITUTO DE ARTE E DECORAÇÃO, SP

2010/11
PROFESSOR UNIVERSITÁRIO:
Faculdade Litoral Sul 
SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO, SOCIOLOGIA GERAL, SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO e HISTÓRIA DA IGREJA
 

DESTAQUES: EXPOSIÇÕES E PROJETOS:

2007
Participação “Hors Concours” da 3ª Bienal de Gravura Nacional, no Museu Olho Latino, em Atibaia, sob a curadoria de Paulo Sheida Sans.

2006/07
Viaja para Portugal, em Dezembro de 2006 instalando-se na cidade do Porto, onde reside por quatro meses, vindo a estabelecer contatos com artistas portugueses, tais como António Fernando, José Rodrigues, Gustavo Bastos, António Leite, Maria Antónia Porto e José Emídio, e com o intelectual, poeta e escritor José-Luis Ferreira.
Durante este período produz uma série de doze pratos em cerâmica e duas esculturas policromadas, na Cooperativa de Actividades Artísticas – Árvore, dirigida pelo Eng° Amandio Secca e por José Rodrigues. Edita também na ÁRVORE uma litografia. Participa do I Salão Internacional de S. João da Madeira e da Exposição de Arte Integrada ao SEMINÁRIO PORTUGAL – PALOP/CPLP – BRASIL, organizado pelo Arquiteto e Pintor Carlos Lança, a convite de José-Luis Ferreira. Expõe suas obras na SERVARTES , espaço multimídia no Porto, e também no Espaço de Arte Vera Lúcia.

2006
CIVILIZAÇÕES, Exposição individual de Arte sobre papel – litografias, serigrafias, metal e aquarelas. Curadoria Rita Villares Pires – Café na Praça, Porto , Portugal
CONTEMPORÂNEOS NO FORTE , Exposição Coletiva, dez artistas brasileiros . Curadoria de Enock Sacramento, Galeria de Arte do Forte de S. Francisco, Chaves, Portugal.
2003
PHYSIS, Exposição Individual na Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências e História, da Universidade São Paulo, com apresentação de Olgária Matos. Evento paralelo ao 7º Encontro de Pesquisa em Filosofia, promovido pela Comissão de Pesquisa FFLCH, CNPq, CAPES e FAPESP.
2001
ARTE NO METRÔ, Acervo Artístico da Companhia do Metropolitano de São Paulo/METRÔ, curadoria: membros da Associação Brasileira dos Críticos de Arte, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte de São Paulo, Conselho Regional de Engenheiros e Arquitetos de São Paulo Estação LUZ, DANÇA PARA SEGURAR O CÉU, obra escultórica [ 2.50 x 6.00m ], alumínio fundido, SP, Brasil. (projeto em desenvolvimento)
2000
MUSEU DOS BANDEIRANTES, ACERVO ARTÍSTICO CULTURAL DOS PALÁCIOS DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, curadoria de Radha Abramo, indicação do crítico de arte Alberto Beutenmüller, conjunto escultórico: O PESCADOR. Alumínio fundido. Área: 2.80 x 3.00m.
São Paulo, Brasil.
Patrocínio: ALCAN ALUMÍNIO DO BRASIL.

A COR DO BRASIL, reflexão sobre os 500 ANOS DO BRASIL, através de reprodução de pinturas e textos do artista, em capas de talonários da TICKET. A série constituiu-se de nove obras, apresentadas uma por mês, a partir de Abril, até Dezembro. Edição de 4,5 milhões talões/mês, distribuição nacional. Simultaneamente a divulgação das imagens nos talonários, o conjunto das obras foi exposto nos Supermercados do GRUPO PÃO DE AÇÚCAR- EXTRA, em nove unidades, em Brasília e São Paulo, Brasil.
Apresentação de Vídeo Documentário: A Cor do Brasil, exposição individual e Leilão Beneficente das Obras no MUSEU DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO, SP, Brasil.
Criação: Mauro Andriole. Realização: GRUPO ACCOR

CONGRESSO INTERNACIONAL DA TICKET, RJ, Brasil
Realização: TICKET, Grupo ACCOR
POVOS DA FLORESTA, edição de Litografia e Vídeo institucional apresentando a obra do artista, o conceito e o processo de elaboração da gravura.
Criação: Mauro Andriole. Realização: Grupo ACCOR.

PINTOR, ESCULTOR E GRAVADOR 

Exposições Individuais

2006
CIVILIZAÇÕES, Exposição individual de Arte sobre papel – litografias, serigrafias, metal e aquarelas. Curadoria Rita Villares Pires – Café na Praça, Porto , Portugal
2003
PHYSIS, FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS, CIÊNCIAS HUMANAS da Universidade de São Paulo, Brasil
2000
A COR DO BRASIL, MUSEU DE ARTE MODERNA, SP, Brasil
1995
ARQUEOLOGIA DO SUBCONSCIENTE, MUSEU DE ARTE MODERNA/Resende, RJ, Brasil
1994
CIVILIZAÇÕES INDÍGENAS, TEATRO HALL, SP, Brasil
CIVILIZAÇÕES II , ESPAÇO CULTURAL METRÔ CONSOLAÇÃO, SP, Brasil
1988
O HOMEM E SEUS MOVIMENTOS, CENTRO CULTURAL DE BAURU, SP, Brasil
1987
AQUARELA, PASTEL, NANQUIM & GUOACHE, CENTRO CULTURAL SÃO PAULO, SP, Brasil

Exposições Coletivas
2007
EXPOSIÇÃO INTEGRADA AO SEMINÁRIO PORTUGAL – CPLP/PALOP – BRASIL, organização do Arquiteto Carlos Lança, curadoria de José-Luis Ferreira, no Hotel Ipanema Park, cidade do Porto, Portugal
2006
EXPOSIÇÕES DE ACERVOS DAS GALERIAS DE ARTE ANDRÉ, CARAFIZZI E GLATT & YMAGOS
2003
ABSTRATOS, GALERIA DE ARTE ANDRÉ, curadoria Carlos von Schmidt, SP, Brasil
2001/00/99/98/96
ACERVO - CARAFFIZI GALERIA DE ARTE,SP, Brasil
1999/96/94/92
COLETIVAS - GLATT & YMAGOS GALERIA, curadoria Patricia Dacca Motta, , SP, Brasil
1998
IMPRESSÕES - A arte da gravura brasileira, 25 anos do Atelier Glatt & Ymagos, ESPAÇO CULTURAL BANESPA, SP, Brasil [Direção de arte do catálogo e participação]
1996
COLETIVA DE ARTISTAS JOVENS, curadoria Paulo Prado, PAULO PRADO GALERIA DE ARTE, SP,BR
1995
Leilão Beneficente Pró MASP, RENATO MAGALHÃES ESCRITÓRIO DE ARTE, SP, Brasil
1995
Pequenos Formatos/Poucas Palavras, curadoria Bob Nugent e Claudia Skaff, DOCUMENTA GALERIA DE ARTE, SP,Brasil
1994/93/92/90/89/88
COLETIVAS DO ACERVO, GALERIA DE ARTE ANDRÉ, SP, Brasil
1994/93
COLETIVAS - DOCUMENTA GALERIA DE ARTE, curadoria Claudia Skaff, SP, Brasil
1990
COLETIVA - DELL’ARTE, CURITIBA, PR, Brasil
COLETIVA - D’BIELLER GALERIA DE ARTE, RJ , Brasil
COLETIVA - IDEA, RJ, Brasil
COLETIVA - CONTORNO, RJ, Brasil
1989
COLETIVA - ARS ARTIS, SP, Brasil
1988
COLETIVA - GALERIA BLUE LIFE,SP, Brasil
1987
COLETIVA - ÃNIMA, SP, Brasil
1986
ARTISTAS DA FOLHA DE SÃO PAULO - GALERIA MARC CHAGALL, SP, Brasil

SALÕES DE ARTE

2007
I SALÃO INTERNACIONAL DE S.JOÃO DA MADEIRA, Portugal
1993
11º SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS DE ARARAQUARA, SP.
1º SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS DA ENTIDADE PRAIDS, SP.
LEILÃO DA COMUNIDADE ISRAELITA DE SÃO PAULO.
22º SALÃO BUNKYO DE ARTES PLÁSTICAS, SP.
1992
17º SALÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE RIBEIRÃO PRETO, SP
1989
7O SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS DE ARARAQUARA, SP.
7O SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS DE RIO CLARO, SP.
18º SALÃO BUNKYO DE ARTES PLÁSTICAS, SP.
1987
1O. SALÃO NACIONAL DE ARTES PLÁSTICAS FLÁVIO PHEBO, SP.
1º SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS DE BAURU, PRÊMIO AQUISIÇÃO, SP.
16º SALÃO BUNKYO DE ARTES PLÁSTICAS, SP

ILUSTRADOR, DESENHISTA E DIRETOR DE ARTE E CRIAÇÃO
ARTES GRÁFICAS/JORNALISMO


1983
Direção de Arte e Ilustrações para as revistas:
VIDA & CULTURA ALTERNATIVA, ESTE MÊS SÃO PAULO, RIO E BAHIA, SP, Brasil.
1987-82
Ilustrador do Jornal: FOLHA DE SÃO PAULO
1998-97
Ilustrações para Revista MARKETING CULTURAL
Projeto gráfico para marcadores de página na 15a. BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO, Centro de Convenções Anhembi, SP, Brasil
2007-08
Ilustrador – REVISTA EDUCAÇÃO
Direção de Arte – Revista CONSULTE ARTE & DECORAÇÃO – Ed Roma SP
1995-92


CENÓGRAFO

1989-87
Cenografia e Direção de Arte: GLEDSON, na 33a.FENIT. SP.
Cenografia para programas do SBT CANAL 4 TVS, SP.

DESIGNER
PROJETOS EM FIBRA DE VIDRO
1982-80
Coordenador do Departamento Artístico e Desenvolvimento de Vitrais para REFORPLÁS, SP.

Sunday, December 12, 2010

Quantos ou quais?

Quando escrevo, quem realmente escreve, ou ainda, quantos escrevem?
            Do mesmo modo, quando digo querer algo, sou capaz de identificar absolutamente, isto é, sem resto de dúvida, ser Eu a origem desse querer?
           
Há, de certo ponto de vista, um perigo que se encerra na aparência destes questionamentos. Poder-se-ia cogitar uma fragmentação de personalidade, uma patologia, ou até a ausência de uma personalidade formada, indefinida a tal ponto, que o sujeito questionador estaria desintegrado num fluxo daquilo que o mundo ao redor, a sociedade, por assim dizer, imputaria sobre seu modo de ser e estar, absorvido assim por uma força inescapável. Tal argumento se filia facilmente à inúmeras doutrinas que se originam no mal estar da sociedade de Freud, amplificadas pela escola de Frankfurt, e que, retidas na superfície do indivíduo socializado, assim visto pela psicanálise, desfrutaria da liberdade de afirmar, beirando a hipóstase, que tudo resulta de uma marcha do “progresso”: do estado e dos modelos econômicos em vigor.
Ladainhas...milongas e afins embalsamados no "academês" herdado do velho mundo.
           
            Mas por outro lado - e sempre há a chance de se negar tudo o que se diz a qualquer momento, pois esta é a essência da racionalidade – diríamos também que o tal sujeito questionador aderiu a alguma “seita” talvez. E que no âmago de seu ser tivesse alimentado dezenas de “verdades”, sendo a maior delas, aquela que o leva ao compromisso ético de admitir-se apenas “fluxo” de uma manifestação infinitamente maior e que é insondável à razão.
            Este argumento, por sua vez, também encerra em sua aparência o perigo de um fanatismo cego, seja lá a crença fundada em qualquer seita que pensemos. Sendo dogma é por natureza o fruto de um desejo narcísico.

            E, no entanto, há razão para tudo não é?
            E o desejo de ser, a despeito de poder ser ou não explicado pela razão, simplesmente continua a SER. E a prova disto é que estamos nós aqui, entretidos com um fazer significativo, que deita suas raízes em ambos os lados do existir: o simplesmente ser e o saber que se está sendo.

            Percorrida esta distância, que não sabemos qual foi, nem a partir de onde saímos e muito menos aonde chegamos, admitimos que só haja uma certeza: somos capazes de sentir e pensar sobre nossos sentidos.

            Desconsiderando aquilo que é desejo de alguns poucos - dentre os quais gosto de me incluir – o de buscar na sensação um sentido igualmente importante ao sentido nascido do pensar, restariam as prioridades dadas pela existência material que condicionam um modo de estar na história.
            Penso com meus botões que poderia sim assentir que o marxismo “explica” muito do que é preciso para se estar “aqui”, neste “agora”.
            Penso também que Don Juan, o índio yaque que “despertou” Carlos Castañeda – ficção ou não – disse muito sobre a natureza humana iluminando nela aquilo que o princípio civilizatório tenta esconder.
            Penso...penso...penso...e nada disto que penso é mais do que a veemente prerrogativa de respirar, de beber água, de comer e de dormir , que no mais das vezes eu ignoro a importância por permancer existindo em pensamento sobre "o que deve ser" meu modo de ser.

            Ultrapassada esta minha ignorância sobre a importância real de minhas necessidades fisiológicas, sobre as relações subjetivas e diretas delas em meu bem estar físico, e que atuam sobre minha forma de sentir e pensar, digo ser importante compreender minhas emoções.

Vejo assim que se fosse realmente admitir o que “é” a minha existência – partindo da necessidade primeira para qualquer coisa sobre mim, pois este saber é vital para a compreensão de minhas “emoções” – pouco posso dizer delas aquilo que está fundado em minhas crenças. Talvez eu seja um cético, ou talvez, seja um cético deprimido, ou deprimido por ser cético. Mas para além das conjecturas mentais, corre meu sangue, neste mesmo instante, e o oxigênio alimenta meus neurônios céticos e deprimidos.

Ora, eis aí uma dualidade - para reduzirmos a dois, as múltiplas escolhas que poderíamos levantar quanto à natureza do ser. Posso simplesmente ser o guardador de rebanhos de Pessoa, insistindo na bucólica paisagem que chamo de mundo, e também posso transcender minha condição material e encarnar inúmeros heterônimos, em espírito, a ponto de confundir tanto a mim mesmo, que nada restaria para um outro além de ilusões sobre mim.

Mas há as emoções.
Emoções que são reais para todos nós – e falo isto exclusivamente me dirigindo a todos que sou. Emoções que de quando em quando, um ou outro em mim acham justo dar o devido valor, sofrer verdadeiramente nelas como se fosse o único, como se fosse o pródigo, como se fosse um príncipe, e acabar no chão feito pacote tímido, no meio do público náufrago.

            Ah...as emoções.    

Thursday, August 19, 2010

arte e ilusão


A relação entre a Arte e a Ilusão é absolutamente indissolúvel.
            Somos criadores de símbolos, autores de uma ação natural que se confunde com nossa própria identidade, presente desde que nascemos e que jamais abandonamos durante toda nossa vida. Ernst Cassirer, filósofo contemporâneo, nascido em 1874 na Alemanha, define o homem como um ser simbólico, tal a importância que o símbolo exerce em nosso modo de ser.
            Neste artigo, examinaremos as relações que envolvem a criação de símbolos na arte e um estado peculiar da consciência: o da ilusão.  
            Qual a origem da ação criadora do artista?
            Se o artista, em um dado momento, é tomado pelo desejo de realização da obra, de pôr-se em correspondência com o Belo, trazendo-o à visibilidade na matéria, ele o faz a partir da apreensão simbólica de um dado que ocorre em sua interioridade.
            Nela, em sua consciência, algo se ilumina, um objeto se eleva dentre todos os outros , e move-se para uma região distinta, distanciando-se da esfera ordinária onde permanecem os outros objetos do mundo. Da mera aparência vulgar, que anteriormente o igualava a todos os outros objetos, este em especial isola-se para assumir um valor paradigmático, encarnando a essência da Beleza. Ou em outras palavras ele se assemelha ao objeto de onde teve sua origem, por reter sua aparência, mas na verdade ele é outra coisa da mesma coisa, isto é, um símbolo.
            O artista não encontra nenhum freio durante esta experiência, nenhum limite, seja ele de qualquer espécie, que o impeça de reter em si as qualidades significantes que  iluminam o objeto.
            Agora durante sua observação o artista funde-se ao objeto, apreende dele aspectos antes invisíveis, e forja-os em novas cores e formas em sua imaginação, sendo um com ele numa experimentação criativa, vívida. Isto é o que ocorre no ato da reflexão artística em si: um fenômeno da projeção da imagem - do objeto no artista e do artista para o objeto em sua consciência. 
            Decorre desta relação reflexiva a via para movimentar o processo do vir a ser da obra e também o do ser artista.  
            Este processo criativo está inteiramente banhado pelas luzes da ilusão – pois, embora o objeto na consciência tenha se transformado e assumido as vestes da beleza, nenhuma alteração ocorreu de fato no objeto a que se refere, assim, fora da experiência estética ele permanece integralmente como era antes em sua aparência e matéria.
            Por outro lado, a despeito disto ser um fenômeno mental, nada impede o artista de justificar uma verdade que traz de sua experiência estética – a obra - e o valor real de seu propósito artístico: ampliar a consciência sobre aquele objeto. Ampliação esta, que se estende para o público, que a partir da contemplação da obra de arte, entra em contato com a imaginação do artista, iniciando também um processo de imaginação quanto ao objeto referido.
            Deste modo, devido a complexidade que envolve compreender o processo em sua grandeza, nenhuma explicação conceitual, seja de ordem psicológica, filosófica ou sociológica poderia ser completa para abranger todas as facetas desta relação entre o artista, o objeto, a obra de arte e o público. Nenhum argumento científico, mesmo a metafísica não poderá dissuadir a consciência de que por um intervalo de tempo ela envolveu o objeto belo em si e se relacionou com ele acima das noções discursivas, pois a prova disto é que desta experimentação nasce uma nova consciência sobre a própria natureza humana: a capacidade de transcender a razão e manter relações reais com algo claramente irreal

Quando um objeto, flores ou um animal, uma paisagem ou um corpo humano são vistos pelo artista, nesse mesmo instante, através da imaginação transformam-se numa outra coisa. São agora objetos da ilusão, paradoxalmente reais para ele, são agora mais do que eram simplesmente, porque revestem-se de outra matéria luminosa, estranhamente imaterial, e assumem simbologia num contexto extraordinário, íntimo, que dialoga com seu imaginário de artista.
            Assim, o processo do vir a ser belo , seja o da flor, da paisagem, do corpo humano - no curso livre de sua efetivação estética, tornam-se um outro objeto – exposto na obra-  encerrando a potência de uma ilusão encantadora.
            E assim, ainda que ela, a obra, retenha em si a aparência de uma flor, de uma paisagem ou de um corpo humano, ela é em verdade apenas representação, a ilusão de ser o objeto da experimentação do artista. Isto porque ela dissimula materialmente ser o que de fato era imaterial e portanto, não passa de  um simulacro ilusório, um encantamento luminoso capaz de evocar na imaginação do público formas emocionais semelhantes as que sentiu o artista.

Wednesday, July 21, 2010

Friday, June 25, 2010

Trancendência


Há muitos anos, talvez em 1988, escrevi estas linhas. Era então um desenhista na cenografia de um canal deTV, e tinha teimosia o suficiente para escrever sem saber nada sobre o que escrevia. Bons tempos.



Todo mistério é fruto
do desconhecimento,
Que por sua vez,
é relativo ao ponto
de vista.
Logo, o mistério de uns
é a verdade de outros.
Então existe o mistério ?
Existe a verdade ?
Ou apenas pontos de vista ?
A dúvida é o mistério.
O conhecido simplesmente "é".
Ser é não ter mistérios,
tão pouco verdades.
A existência é um problema
de quem ainda não percebeu
que existe.
Há o fazer.
E também o “porque”
(às vezes)de fazê-lo.
Mas há o elo entre
o ato imediato e
sua consequência prevista (?)
Ou há um contínuo interagir
entre ação/reação(?)
Há no máximo pseudoconclusões
de um breve momento já passado.
O intervalo entre a ação e
o pensar a ação é falso.
Só há a ação.
O pensar é independente do tempo ou espaço.
Qualquer observação sobre o pensar
é no máximo limitada por conter-se a si mesmo.
Há o “transcendente” no pensar ?
Sob que linguagem se fixaria o
discurso sobre a “transcendência” ?
O saber é intransmissível
porque saber é viver,
e viver é experimentar só:
as limitações de seus
pontos de vista, mistérios, verdades
e “transcendências”.

Thursday, June 10, 2010

Insônia

Muitos anos se passaram...e o texto, antigo, me veio mais uma vez, iluminou-se numa destas buscas sem mais querer do que adiar o sono. Evidentemente já estava sonhando.

talvez em 1999...


Foi quando parei de escrever que me veio este texto.
Chega-me como um perfume de não sei que flor, nem cor de rosa nem de negro, e logo empesteia o mundo. Meu mundo, é claro.
Meu mundo claro é como tudo o que não sei dizer com este texto perfumado com este cheiro que ninguém poderá sentir além de mim. Mas me invade a mente, as narinas e peito, numa presença que será lembrança vaga, como esta linha escrita a mim. Sim, porque ninguém escreve senão a si mesmo.
Daí, nesta negra noitada, neste odor imaginado de fim de semana, as palavras invadem, sem saber que nada dizem além do que eu mesmo posso dizer com elas. Mas insistem. Mas fustigam o corpo do texto, que incha, sem saber o que fez para sofrer essa tortura de ter que ser alguma coisa sã: – Diga palavra!
Como é doce esse lamento – eu penso.
E nada me vale mais do que este pensar que isto seria uma espécie de lamento, este decrépito e inapto pensar que balbucia fedores que logo se esquece no mais adiante. E, no entanto, há de se pensar numa boa coisa, numa coisa que não se tenha de verdade só para si... numa coisa... numa mulher talvez, já que sou homem.
Num amor talvez.
Vagueia palavra, diz em mim o que é e eu acreditarei, como um apaixonado.
E me vem logo o perfume de mulher gostosa lambendo a nuca e arrepiando os pelos do corpo. Chega sem pedir. Como este texto, como paixão. Mas procura em si mesma, menos do que ele, texto e paixão, em mim, porque nada quer ser além de fazer nascer um querer irremediável neste outro que sou eu apaixonado.
Paixão.
Se instala assim, a despeito de eu querer que se instale, está absolutamente imune a qualquer consentimento meu , e  se auto proclama nexo e lei, como a única possibilidade de exalar o mais belo dos sonhos ao me fazer adormecer. Sonho essa paisagem.
E quem dirá que nada disso pode ser verdadeiro, tal como são estas linhas deste texto intruso? Deste perfume que é lapso num modo que só pode conhecer o inodoro? Desta paixão inexistente arrancando suspiros e lágrimas irreais inundando outro que eu posso ser também em minha cena?
De quantos amores é possível escapar ileso até perceber que a verdade é que nunca será mais que um só o amor que nos aprisiona e nos liberta?
Presos nesta liberdade evanescente, sonhamos sentir ares pela janela aberta de todos os amores, que são um só, o aroma de lá fora, e nesta cela somos muitos.   
Este perfume de papoula, esta febre de ópio que penetra nos mistérios dos amantes, sons nos silêncios sussurrados nos ouvidos de apenas alguns poetas – estes seres do devaneio, destemidos o suficiente para saltar para a boca do abismo sem fim, para voar eternamente em respostas a perguntas jamais feitas.
Quantos textos invadidos aqui, nestas linhas inépcias, num só golpe de dedos rudes, para revelar a miséria miraculosa das flores e trevas que podem coexistir num peito dolorido porque se quis outro além de si...
Este breve viver, que é a morte plena, fendida nas chagas abertas da alma, nunca cicatrizadas, neste gozo irrepreensível da escrita, que é também um sucumbir ante todos os desejos, lançar-se nos desvios evitados, anunciados como perigosos pelos senhores da mente sadia devorando sua salsicha presa, comida sem requinte ou pena da imortalidade da Alma, carniceiros sorvendo a carne da vida deste existir alheio e inexplicável, que é o de qualquer destino humano quando medido pelo razoável.
Desvio.
E do mesmo modo que veio, o texto se esvai agora, como o perfume de mulher, como o sonho interrompido pela sede noturna, para ir ter com outros, habitar outras águas que as vertidas no copo vazio que mata a secura dos lábios da minha insônia.